Economia & Mercado

Real é a moeda que mais perdeu valor na pandemia, aponta Bank of America

Organização também aponta que moeda brasileira mais barata do mundo emergente  |  Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Publicado em 19/04/2021, às 15h02   Marcello Casal Jr./Agência Brasil   Redação BNews

O real voltou a figurar como a moeda que mais se desvalorizou durante a pandemia do novo coronavírus. É o que aponta o Bank of America (BofA), que mensura a magnitude da depreciação das taxas justas de câmbio no segundo trimestre de 2020 decorrente da crise da Covid-19.

A entidade considera que a crise sanitária desvalorizou não apenas moedas em termos nominais ou reais, mas também mexeu com as métricas de fundamento, com consequente impacto nos valores justos de taxas de câmbio. 

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De acordo com informações da agência Reuters, mais uma vez, a moeda brasileira liderou a queda, com baixa de 18%, seguido pelo rand sul-africano, que viu declínio de 15%.

Também segundo a publicação, de acordo com o novo modelo de taxa justa de câmbio divulgado pela entidade,  o real é a moeda mais barata do mundo emergente. Pelo novo modelo de cálculo - o Compass BEER -, o real está 24% mais barato do que o sugerido pelos fundamentos, maior desvio negativo numa lista de 20 moedas emergentes. 

O Dólar de Cingapura (-18%) e iuan (-15%) vêm na sequência. Na outra ponta estão rand sul-africano (+5%) e peso argentino e rupia indiana --ambos com 4%. Assim, o valor justo para o real estaria em 4,26 por dólar. O real também ocupa a pior posição num cálculo que considera valuations multilaterais --contra outras moedas além do dólar. 

Por essa conta, a divisa brasileira está 20,3% abaixo do sinalizado pelos fundamentos.O banco norte-americano calculou ainda a recuperação dos valuations das moedas entre o segundo trimestre de 2020 e os primeiros três meses de 2021.

A taxa justa do real valorizou-se 1%, enquanto pares como iuan, peso colombiano, sol peruano e peso chileno ganharam entre 5% e 12%. O Bank of America explica que em alguns casos a relação entre fundamentos econômicos e preços dos ativos pode ser bastante não linear.

"Nessas situações, o prêmio de risco idiossincrático pode explicar amplamente desvios do modelo em relação às taxas de câmbio observadas. Achamos que este é atualmente o caso do valuation do real", afirma a entidade.

O real cai 6,3% ante o dólar, em termos nominais - terceiro pior desempenho no ano, ficando atrás do peso argentino (-10,1%) e da lira turca (-8,2%).

Classificação Indicativa: Livre


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