Economia & Mercado

Bolsonaro 2022: Patrões coagiram, prometeram folgas e até usaram Deus para pedir votos para reeleger ex-presidente

Empresas de vários estados do país foram condenadas por ajudar o ex-presidente a ganhar popularidade na eleição de 2022  |  Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Publicado em 18/08/2025, às 08h47 - Atualizado às 09h53   Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil   Vagner Ferreira

Ao menos 30 julgamentos recentes mostram que empresas de diversos estados foram condenadas por ajudar o ex-presidente Jair Bolsonaro a ganhar popularidade nas eleições de 2022 por meio de assédio eleitoral. Os métodos incluíam pressão psicológica, ameaças de demissão, promessas de folgas e até distribuição de benefícios para quem apoiasse o então candidato.

Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe de Estado e de tentar impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Atualmente, cumpre prisão domiciliar e está inelegível até 2030.

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Entre os casos julgados, a Agronelli Ltda (MG) foi punida por obrigar funcionários a conviver com adesivos de Bolsonaro em mesas e computadores, além de promover palestra em que a direção afirmava que a vitória do PT prejudicaria a empresa. Já a Radiodoc (SP) prometia folgas a quem participasse de eventos da campanha, mas alertava para “consequências” caso Bolsonaro não vencesse.

Na Sada Bioenergia (MG), um funcionário com 12 anos de empresa foi demitido por se recusar a usar adesivo do candidato. A Transber Transporte (PR) foi condenada por enviar vídeos pedindo votos aos empregados.

Houve casos ainda mais extremos: a Febracis (ES) foi condenada a pagar R$ 10 mil a uma funcionária após afirmar que “Bolsonaro era candidato de Deus e Lula do Diabo”. Já o Frigorífico Serradão (MG) distribuiu camisas com a imagem do ex-presidente e prometeu pernil a quem comprovasse o voto.

Segundo o Ministério Público do Trabalho, só na disputa de 2022 foram registradas, em média, 3.145 denúncias de assédio eleitoral. À época, levantamento do Datafolha indicava que 4% dos eleitores haviam sofrido esse tipo de pressão.

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