Economia & Mercado

BYD estuda iniciar produção de baterias para carros elétricos na Bahia

Com a nova fábrica, a BYD pretende produzir baterias de fosfato de ferro-lítio, diferenciando-se do mercado atual.  |  Thiago Teixeira / BNEWS

Publicado em 27/02/2025, às 06h35   Thiago Teixeira / BNEWS   Thiago Teixeira*

A montadora chinesa de carros elétricos BYD (Build Your Dreams) já iniciou estudos para a implantação de uma fábrica de baterias em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS) — e não apenas a montagem e produção dos veículos.

A possibilidade, que já havia sido aventada pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), foi confirmada com exclusividade por interlocutores da montadora ao BNEWS, durante a visita ao Centro de Distribuição de Peças da BYD, em Cariacica, no Espírito Santo, na quarta-feira (26).

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Inicialmente, o projeto incluía a construção de três fábricas para a produção de peças, linhas de montagem e processamento de lítio e ferro-fosfato — que são os insumos necessários para a produção das baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP). Essa composição, característica da BYD, difere da maioria das baterias do mercado, que são feitas de níquel, cobalto e manganês.

A ideia de construir a fábrica de baterias na Bahia é para reduzir o custo do produto e dispensar a necessidade de importação direta da China. No entanto, apesar dos estudos para a construção estarem em andamento, ainda são iniciais — principalmente levando em consideração que a montadora, que está sendo erguida na planta da antiga fábrica da Ford, ainda não foi inaugurada. A previsão é que as obras sejam concluídas ainda este ano.

Centro de distribuição de peças

A reportagem do BNEWS foi até o Espírito Santo para acompanhar o esquema de produção das peças dos veículos da BYD em solo nacional. Com mais de 24 mil m², a estrutura da fábrica possui, atualmente, mais de 700 mil peças em estoque.

De acordo com o diretor de pós-venda da BYD, Fabian Gomes, a expectativa é que, assim como em Cariacica, a ideia é que Camaçari também possua uma estrutura semelhante. A proposta é dar autonomia à produção, fazendo com que a fábrica de peças seja autossuficiente, tornando a necessidade de importação de peças da China cada vez mais rara.

O terreno baiano tem cerca de 4,6 milhões de m² e o complexo fabril terá cerca de 1 milhão de m². O local foi comprado do governo da Bahia por R$ 287,81 milhões e pertenceu à Ford, que anunciou o fim das operações no Brasil em 2021. As antigas instalações da montadora norte-americana serão destinadas a fornecedores para a produção de peças da BYD.

“Existem estudos para termos um armazém de peças, porque vão ter peças que serão produzidas localmente na fábrica. A dimensão [da fábrica de peças] pode ser numa escala menor, mas faz todo sentido para a BYD produzir peças localmente, para você baratear custos e ter menos impostos. Então, com certeza, vamos ter que ter um armazém de peças lá para poder fazer a distribuição”, afirmou Fabian Gomes ao BNEWS.

*O repórter viajou para o Espírito Santo a convite da montadora chinesa BYD.

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