Economia & Mercado
Publicado em 24/06/2026, às 08h22 Devid Santana / BNews Yuri Pastori
A montadora chinesa BYD conseguiu renovar por mais seis meses o benefício das cotas que permite trazer kits para montagem de veículos eletrificados com isenção do Imposto de Importação.
Segundo análise de Eduardo Sodré na Folha de S. Paulo, a estratégia comercial agressiva da BYD isola os concorrentes e as associações que representam o setor automotivo.
Ainda segundo a publicação, a empresa tem se articulado bem com o governo federal. O ex-ministro da Casa Civil e ex-governador da Bahia Rui Costa (PT) tem ajudado na interlocução com o Palácio do Planalto.
No governo de Rui foi assinado o protocolo de intenções para a instalação de três fábricas da montadora aqui na Bahia. O negócio foi concretizado em outubro de 2023 e os chineses assumiram a linha de montagem que era da Ford.
A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) tem alertado para os riscos que a prolongação de benefícios aos regimes CKD e SKD traz à indústria nacional. As siglas indicam que os carros chegam ao Brasil desmontados ou parcialmente montados antes da produção local de componentes, no caso das operações em grande escala.
Embora a BYD afirme que terá grande quantidade de componentes locais até 2027, Sodré analisa que essa realidade ainda parece distante. A empresa chinesa segue conquistando mercado ao concorrer em preço com os modelos nacionais e isso é o que mais incomoda a concorrência.
Segundo Sodré, a decisão favorável à BYD beneficia também os concorrentes. A General Motors iniciou a montagem de carros elétricos de origem chinesa em Horizonte (CE) no regime SKD. O grupo Stellantis também irá produzir modelos Leapmotor em Goiana (PE). As duas fabricantes fazem parte da Anfavea.
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