Economia & Mercado
Publicado em 10/09/2026, às 06h47 Divulgação Redação Bnews
Bancários da Caixa Econômica Federal entram em greve por tempo indeterminado em todo o país nesta quinta-feira (10), enquanto trabalhadores do Banco do Brasil participam de uma paralisação parcial. O movimento ocorre após empregados rejeitarem propostas relacionadas ao custeio dos planos de saúde durante as negociações da categoria.
A decisão acontece um dia após o Sindicato dos Bancários assinar a convenção coletiva de trabalho que garante reajuste salarial acima da inflação para cerca de 500 mil bancários. O mesmo percentual será aplicado aos benefícios de vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-creche. A categoria também terá direito à Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Na Caixa, 93 bases sindicais aprovaram a paralisação. Outras 35 rejeitaram a proposta apresentada pelo banco, mas decidiram continuar negociando. Nas demais bases, o acordo foi aprovado.
O principal impasse envolve o Saúde Caixa. Atualmente, os empregados pagam 3,5% do salário-base pelo convênio, além de R$ 480 mensais por dependente. Para dependentes entre 24 e 27 anos, a cobrança é de R$ 800.
A proposta apresentada pela Caixa previa elevar a contribuição para 5,5% do salário-base. O valor por dependente passaria para R$ 870 e, para os dependentes maiores, chegaria a R$ 1.050 por mês.
A Caixa informou que mantém as negociações com as entidades que representam os empregados. "O objetivo é construir um entendimento que contemple os interesses de todas as partes envolvidas, com foco na valorização dos empregados, na sustentabilidade da instituição e na continuidade da prestação de serviços à sociedade", diz o banco público.
No Banco do Brasil, a greve não terá adesão nacional. Parte dos sindicatos aprovou a proposta apresentada pela instituição, enquanto outras entidades decidiram manter as negociações.
O plano de saúde também está no centro do impasse. Nas assembleias, 39 sindicatos aprovaram a proposta de aporte de R$ 360 milhões para manter o plano até novembro deste ano.
Outros 60 sindicatos rejeitaram a proposta e decidiram retomar as negociações. Já 27 sindicatos aprovaram a greve a partir desta quinta-feira (10). Entre eles estão entidades de Minas Gerais, Bahia, Ceará e Piauí.
O Banco do Brasil afirmou participar da mesa única da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), com a presença das instituições financeiras, e manter uma mesa específica para discutir as reivindicações dos funcionários.
"Para a data-base de 2026, foram realizadas várias rodadas de negociação, que resultaram na proposta apresentada às entidades sindicais e aprovada em diversas assembleias em todo o país", diz a nota.
O Banco do Brasil orientou os clientes a utilizarem o aplicativo, internet banking, correspondentes bancários e atendimento telefônico durante a paralisação.
Os números informados são 4004-0001 para capitais e regiões metropolitanas e 0800-7290001 para as demais localidades. O banco também disponibiliza atendimento pelo WhatsApp, no número (61) 4004-0001.
O índice de correção dos salários dos bancários será divulgado nesta sexta-feira (11). O percentual corresponderá à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre setembro de 2025 e agosto de 2026, acrescida de 0,6% de aumento real.
A Participação nos Lucros e Resultados (PLR) não terá um valor fixo. O pagamento dependerá do salário do trabalhador e do lucro obtido pelo banco.
A PLR de 2026 será paga até o fim de março de 2027, mas haverá uma antecipação ainda neste mês. Segundo o Sindicato de São Paulo, Osasco e Região, parte do valor será calculada com base no salário e outra parcela estará vinculada ao lucro registrado pelo banco no primeiro semestre.