Economia & Mercado
Publicado em 23/09/2026, às 06h00 Devid Santana / BNews Samuel de Jesus
Com a proximidade dos festejos de São Cosme e Damião, celebrado em 27 de setembro, a equipe do BNEWS foi até a Feira de São Joaquim, em Salvador, para acompanhar o movimento e os preços dos ingredientes usados no tradicional caruru. A expectativa dos comerciantes é de aumento na procura à medida que a data se aproxima.
A apuração realizada na feira mostra que o preço pode variar dependendo da banca, e pesquisar é a melhor escolha para quem deseja fazer o famoso prato. Entre os produtos pesquisados, os de maior destaque são o quiabo e o camarão, que não podem faltar na compra do consumidor. Segundo os feirantes, eles são os ingredientes de maior procura e os que tiveram aumento nas últimas semanas, se comparados ao ano passado.
Para quem pretende servir várias pessoas, a conta pode ficar salgada. Segundo a dona de casa, Rosemeire Santos, no ano passado ela gastou entre R$ 700 e R$ 800 para 50 pessoas. Em 2026, a expectativa é servir a mesma quantidade de pessoas, mas o valor pode aumentar um pouco.
Ficou muito caro. O camarão ficou bastante caro. A castanha também aumentou bastante. Tudo aumentou”, afirmou a dona de casa.
Diante dos preços, ela já decidiu reduzir alguns ingredientes da iguaria baiana.
Vou reduzir o quiabo, vou reduzir o camarão, vou reduzir todos os produtos, porque eu vou fazer ele menor”, disse Rosemeire
| Ingredientes | 5 pessoas | 10 pessoas |
|---|---|---|
| Quiabo | R$ 12,00 | R$ 24,00 |
| Camarão seco | R$ 11,25 | R$ 22,50 |
| Castanha | R$ 7,05 | R$ 14,10 |
| Amendoim | R$ 1,80 | R$ 3,60 |
| Azeite de dendê | R$ 5,50 | R$ 11,00 |
| Leite de coco | R$ 6,50 | R$ 13,00 |
| Cebola | R$ 2,50 | R$ 5,00 |
| Tomate | R$ 1,38 | R$ 2,75 |
| Pimentão | R$ 1,43 | R$ 2,85 |
| Farinha de mandioca | R$ 2,25 | R$ 4,50 |
| Feijão-fradinho | R$ 2,25 | R$ 4,50 |
| Arroz | R$ 2,66 | R$ 5,32 |
| Subtotal: caruru + acompanhamentos | R$ 56,57 | R$ 113,12 |
| Ingredientes adicionais do vatapá* | R$ 20,00 | R$ 40,00 |
| TOTAL ESTIMADO | R$ 76,57 | R$ 153,12 |
* Estimativa para ingredientes adicionais do vatapá, como pão ou farinha, gengibre e temperos. O valor pode variar conforme a receita e os preços de cada comerciante.
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Na Feira de São Joaquim, o preço que mais varia é o do camarão. A equipe fez uma pesquisa em vários estabelecimentos e constatou que, dependendo do tipo do produto, a sacola pode ficar mais cara.
A vendedora Thais Pureza detalhou que trabalha com vários tipos de camarão: o defumado pode chegar a R$ 50 e o vermelho pode sair por R$ 30. O preço está no mesmo patamar do ano passado, mas a procura está maior este ano, o que pode gerar um aumento significativo nas próximas semanas.
O comerciante Eliezé Cardim, conhecido na feira como Zinho, relatou uma alta mais expressiva nos preços. Segundo ele, um camarão que custava cerca de R$ 45 no ano passado passou a ser comprado por aproximadamente R$ 60 neste ano.
Praticamente o camarão, né? Camarão e o quiabo”, afirmou Eliezé ao apontar os produtos que estão tendo maior procura.
Para ele, alguns consumidores estão antecipando as compras para tentar escapar de possíveis altas com a chegada da data festiva.
Eles estão comprando e já guardando a mercadoria para ver se o preço não sobe mais ainda”, contou Eliezer.
Em geral, para os comerciantes, o camarão teve um aumento de R$ 7 em comparação ao ano passado. Com a proximidade da data, a tendência é que o preço aumente ainda mais.
Outro campeão de vendas, segundo os comerciantes, é o quiabo, ingrediente considerado indispensável . Na pesquisa, foi possível verificar uma variação de preços, a exemplo do feirante Xavier dos Santos, que vendia o produto por R$ 12 o quilo.
Para Xavier, o quiabo é tradicionalmente um dos produtos mais procurados neste período. “Geralmente é o quiabo mesmo. Pelo quiabo geralmente aumenta mais, então é o mais procurado”, explicou.
O comerciante afirmou ainda que a alta do preço do quiabo nesse período costuma ocorrer todos os anos.
O feirante Arnaldo Silva, que vende somente quiabo, disse que a procura ainda não estava intensa no momento da entrevista, mas esperava aumento do movimento nos próximos dias. Na sua banca, o quiabo estava a R$ 20,00 o kg.
“O pessoal só faz perguntar o preço, mas comprar ainda não”, afirmou.
Segundo Pureza, a castanha quebrada era vendida por R$ 44 o quilo. Já o feirante Xavier dos Santos e o atendente Willy dos Santos registraram o produto a R$ 50 o quilo. Nas três bancas, a castanha inteira custava R$ 70 o quilo. Quanto ao amendoim, a diferença também aparece de acordo com o tipo e a banca. O produto cru foi encontrado por R$9 o quilo. Já o torrado variou de R$13 a R$15.
O feirante Eliezé Cardim também afirmou que o leite de coco também sofreu aumento. Segundo ele, o litro estava sendo vendido por R$8, embora fosse possível negociar até R$6. Já o azeite tem uma variação de 10 e 12 , mas não teve aumento comparado ao ano passado.
| Ingrediente | Preço |
|---|---|
| Quiabo | R$ 12 a R$ 20/kg |
| Camarão seco | R$ 30 a R$ 60/kg |
| Castanha quebrada | R$ 44 a R$ 50/kg |
| Castanha inteira | R$ 70/kg |
| Amendoim cru | R$ 9/kg |
| Amendoim torrado | R$ 13 a R$ 15/kg |
| Azeite de dendê | R$ 10 a R$ 12/litro |
| Leite de coco | R$ 5 a R$ 8/litro |
| Cebola | R$ 5/kg |
| Tomate | R$ 5 a R$ 6/kg |
| Pimentão | R$ 9 a R$ 10/kg |
| Farinha de mandioca | R$ 9/kg |
| Feijão-fradinho | R$ 8 a R$ 10/kg |
| Arroz branco tipo 1 | R$ 5,32/kg |
Os preços foram levantados pela reportagem na Feira de São Joaquim e podem variar de acordo com o comerciante, o tipo e a qualidade do produto.
O aumento dos preços pode afetar as compras dos consumidores, mas alguns clientes relatam ser essencial manter a originalidade da receita. Para eles, tirar produtos é mudar a essência do caruru e das festividades.
Vânia de Santana Santos, vendedora de acarajé, afirmou que não pode reduzir os produtos usados na preparação que vende aos clientes.
“Não, porque senão a gente perde a vendagem. A gente tem que driblar o preço e continuar com os mesmos materiais”, afirmou.
A comerciante Joelma Santos também disse que não pretende retirar ingredientes do prato. Para ela, cada produto tem sua função na receita e na identidade da culinária baiana. “Tem que colocar todos os materiais”, resumiu.
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