Economia & Mercado
Publicado em 12/08/2026, às 07h07 Divulgação Redação Bnews
Casas Bahia, Americanas e Oncoclínicas divulgam nesta quarta-feira (12) os resultados do segundo trimestre após o fechamento do mercado, em um momento de forte atenção dos investidores à situação financeira das companhias. Segundo análises da XP e do BTG Pactual, obtidas pelo Uol, o mercado deve olhar principalmente para geração de caixa, endividamento e capacidade de sustentar as operações.
Casas Bahia
A Casas Bahia tenta consolidar uma melhora operacional e financeira após um processo de reestruturação voltado à redução da alavancagem e à melhoria da geração de caixa.
No primeiro trimestre, a companhia reduziu a dívida líquida, mas parte relevante desse movimento ocorreu com a conversão de dívida em capital. A conversão de debêntures em ações ajudou a aliviar os compromissos financeiros, mas ainda existe o desafio de fazer a operação gerar caixa de forma recorrente.
A Genial Investimentos avalia que a conversão terá impacto positivo. "A conversão pode ajudar a reprecificar o risco de crédito e aliviar a estrutura de capital, reduzindo a dívida líquida", afirma a corretora. A instituição pondera, porém, que os juros altos e o crédito restrito ainda prejudicam as vendas.
O Itaú BBA avalia que a companhia apresentou uma recuperação operacional relevante, mas aponta a existência de pontos de atenção para a tese de investimento.
Americanas
A Americanas ainda está em recuperação judicial após a descoberta de uma fraude bilionária. A companhia já protocolou um pedido para encerrar o processo e afirma ter cumprido as obrigações previstas no plano de recuperação, mas a conclusão depende do processo judicial.
O principal ponto do balanço será avaliar se a varejista consegue sustentar a operação sem comprometer novamente sua liquidez. Após uma profunda reestruturação, a empresa precisa demonstrar que a melhora dos resultados não depende apenas das medidas previstas no plano de recuperação.
Investidores também devem acompanhar a geração de caixa e a evolução da dívida. A expectativa é verificar se a operação consegue financiar as próprias necessidades e avançar na recuperação sem depender novamente de medidas extraordinárias para preservar o caixa.
Oncoclínicas
A Oncoclínicas enfrenta pressão financeira após iniciar uma recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras. O processamento do pedido foi deferido pela Justiça no início de agosto, com período de proteção de 180 dias.
A reestruturação busca preservar a operação enquanto a empresa reorganiza suas obrigações financeiras. A companhia afirma que o processo não deve afetar o atendimento aos pacientes nem os pagamentos a fornecedores, mas a situação do caixa é um dos principais pontos de atenção.
O BTG Pactual alerta que a crise de liquidez já afeta as operações do grupo de saúde. "A pressão de liquidez agora está afetando diretamente as operações, com a escassez de medicamentos refletindo menor disponibilidade de caixa e interrupções nas compras", destaca o banco.
A Fitch, agência de classificação de risco, rebaixou a nota de crédito da empresa em março e abril de 2026. Segundo a agência, a "aprovação, pelos credores, da extensão do prazo de pagamento dos juros" de parte das debêntures caracteriza "um evento de inadimplência restrita".
Oi tem balanço adiado
A Oi enfrenta uma situação ainda mais complexa para apresentar seus resultados. A companhia vem adiando a divulgação dos balanços em meio ao processo de recuperação judicial e aos impactos da reestruturação nas demonstrações financeiras.
A operadora tenta acelerar a venda de ativos para reforçar o caixa. Entre os principais negócios envolvidos está a ClientCo, unidade que reúne clientes de fibra óptica.
A geração de caixa e a capacidade de concluir as vendas previstas são pontos centrais para a continuidade da reestruturação. Relatórios de corretoras apontam que o processo pode levar anos e exige acompanhamento próximo da geração de caixa.
O que o mercado vai acompanhar
Apesar dos diferentes momentos, Casas Bahia, Americanas e Oncoclínicas têm um desafio em comum: mostrar que a reestruturação financeira é capaz de preservar as operações.
Na Casas Bahia, o foco está em saber se a melhora operacional pode se transformar em geração recorrente de caixa. Na Americanas, a questão é se a empresa consegue sustentar o negócio depois da profunda reestruturação. Na Oncoclínicas, a prioridade é atravessar a renegociação das dívidas sem comprometer as atividades.
Para os investidores, lucro e dividendos não serão os únicos indicadores observados. Caixa, dívida, consumo de recursos e capacidade de financiar as operações devem ter peso importante na avaliação da saúde financeira das companhias.