Economia & Mercado
Publicado em 17/08/2026, às 07h29 - Atualizado às 07h32 Reprodução/ Redes Sociais Bernardo Rego
Após o fechamento de quase 300 lojas em todo o Brasil e a demissão de milhares de funcionários, a Casas Bahia anunciou por meio de comunicado oficial, que entrou com um pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. O comunicado ressalta que a decisão foi tomada em reunião com todos os acionistas.
Na ação, que tramita 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, o grupo Casas Bahia informou um passivo de R$ 17,3 bilhões. A petição foi protocolada na noite de domingo (16).
Dos R$ 17 bilhões das dívidas, R$ 16,4 bilhões são de credores quirografários, ou seja, sem garantias. Há ainda R$ 754 milhões de dívidas trabalhistas, R$ 154 milhões junto a microempresas (ME) ou empresas de pequeno porte (EPP).
Segundo o jornal Valor Econômico, os cortes fazem parte de um plano de redução de despesas após uma sequência de prejuízos. Com isso, o grupo empresarial encerrou as atividades em 28,7% das pouco mais de mil lojas que possuía no país, sendo uma das maiores reduções feitas de uma só vez nos últimos anos.
Em Salvador foram fechadas as lojas do Salvador Shopping, Shopping da Bahia, Shopping Paralela, Shopping Barra, Shopping Piedade, Salvador Norte Shopping e Shopping Bela Vista. A lista inclui ainda unidades de rua, como as da Baixa dos Sapateiros, Avenida Sete de Setembro, Manoel Dias e Cabula.
"O Grupo Casas Bahia vem informar aos seus acionistas e ao marcado em geral que, em reunião do Conselho de Administração realizada nesta data, foi aprovado e autorizado a ajuizamento de pedido de recuperação juricial da Companhia, em conjunto com determinadas de suas subsidiárias, nos termos da Lei nº 11.101, de 9 de Fevereiro de 2005, do parágrafo único do artigo 122 da Lei de S.A. e das demais disposções legais aplicáveis, o qual foi protocolado também nesta data perante o Juízo de Falência e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de Sâo Paulo", diz um trecho do comunicado enviado ao mercado.
Ainda de acordo com o comunicado oficial assinado pelo Diretor Vice-Presidente Financeiro e Relações com Investidores, Elcio Mitsuhiro Ito, o pedido de recuperação judicial foi feito em razão da condição financeira enfrentada pela empresa no atual cenário econômico do Brasil.
"O pedido de recuperação judicial foi ajuizado em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras enfrentadas pela Companhia, a qual foi impactada, dentre outros fatores, pelo ambiente macroeconômico desafiador, marcado por patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro aliados à não concretização de alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas pela Companhia", diz outro trecho do comunicado.
"Nesse cenário de liquidez restrita, o ajuizamento do pedido de recuperação judicial mostra-se necessário e configura mais um passo na direção da reestruturação financeira da Companhia, buscando preservar a continuidade das atividades empresariais, proteger a geração de valor futuro e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento de suas obrigações. Durante o curso do processo de recuperação, a Companhia pretende manter suas operações em todos os seus canais existentes, priorizando o atendimento a seus clientes e consumidores, sem interrupções relevantes, e nos niveis de qualidade e serviço atualmente existentes", ressalta outro trecho do comunicado.
Em 2025, as Casas Bahia registraram prejuízo consolidado não ajustado de aproximadamente R$ 3 bilhões. O resultado foi três vezes maior que a perda registrada no ano anterior.
A pressão continuou nos primeiros meses deste ano. No primeiro trimestre, o prejuízo líquido ficou próximo de R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior. Foi nesse cenário que a companhia acelerou o processo de enxugamento da estrutura.
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