Economia & Mercado

CEO do Fortnite acusa Apple de pressionar Trump contra o Brasil: 'Querem punir o país'

CEO da Epic Games afirma que Apple mobiliza lobistas em Washington para prejudicar o Brasil após decisão do Cade  |  Reprodução/IA

Publicado em 31/07/2026, às 12h24 - Atualizado às 13h26   Reprodução/IA   Camila Sales

Segundo o CEO e fundador da Epic Games, Tim Sweeney, a Apple tem mobilizado lobistas em Washington para pressionar o governo de Donald Trump a agir contra o Brasil. Conforme divulgado pela Folha S.Paulo, a desenvolvedora do jogo Fortnite fez essa acusação durante uma coletiva de imprensa virtual com jornalistas brasileiros realizada na última quinta-feira (30).

Segundo Sweeney, a fabricante do iPhone surge como uma reação direta à decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que determinou que o ecossistema iOS da Apple passe a aceitar lojas de aplicativos e meios de pagamento concorrentes.

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O executivo alega também que a empresa tenta desgastar as relações bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos com o objetivo de preservar taxas e restrições na App Store que a Epic Games classifica como anticoncorrenciais e ilegais.

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O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) foi o principal alvo apontado pelo CEO da Epic Games.

Sweeney indicou que parceiros da Apple no órgão estariam enviando ameaças a países que implementam diretrizes voltadas para limitar o controle da companhia sobre a distribuição de softwares e aplicativos.

Com isso, uma tarifa de 25% sobre grande parte das importações de origem brasileira entrou em vigor em 22 de julho por determinação de Donald Trump. Essa sobretaxa faz parte de um projeto do governo estadunidense contra medidas adotadas pelo Brasil que impactam big techs e provedores de pagamentos. No anúncio oficial a respeito da cobrança, o governo dos Estados Unidos apontou práticas ligadas aos serviços de pagamento e ao comércio digital entre as justificativas para impor punições ao país.

Por outro lado, a investigação norte-americana envolveu também temas como desmatamento ilegal, acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, combate à corrupção e tarifas preferenciais. Dessa maneira, a sobretaxa não foi associada formalmente de forma exclusiva ao embate que envolve a Apple. Os relatórios públicos analisados do USTR de fato confirmam a pressão econômica exercida sobre o Brasil, contudo não apontam a Apple como a responsável por motivar a abertura da averiguação ou a aplicação das barreiras tarifárias.

Portanto, o elo entre a punição ao país e o lobby da empresa permanece como uma acusação de Sweeney, a qual é refutada pela fabricante do iPhone.

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Para incentivar a concorrência, o Cade validou, em dezembro de 2025, um acordo de três anos com a Apple. A medida, iniciada após representação do Mercado Livre em 2022 por abuso de posição dominante, obriga a empresa a permitir pagamentos de terceiros, lojas alternativas e links externos, sob pena de multa de até R$ 150 milhões.

Contudo, a Epic Games afirma que a Apple ainda prejudica a concorrência. Segundo a desenvolvedora, a Apple taxa em 21% compras por sistemas de terceiros, 15% para transações via links nos apps e 5% sobre a receita de lojas alternativas. Além disso, instalar uma loja concorrente exige nove etapas no Brasil, contra seis na União Europeia.

Apple rebate acusações e Epic planeja novas medidas junto ao Cade

A Apple negou as acusações da Epic Games, afirmando que o acordo garante comissões menores, novas opções de pagamento e distribuição. A empresa declarou que trabalha com reguladores brasileiros para garantir a segurança e que os relatórios exigidos de lojas rivais servem apenas para cobrar o uso de suas tecnologias, não para espionagem.

No mesmo dia da entrevista, a Epic Games lançou sua plataforma para iPhones no Brasil com os jogos Fortnite e Rocket League Sideswipe. Tim Sweeney adiantou que a desenvolvedora recorrerá novamente ao Cade para contestar as taxas e os obstáculos na App Store. 

Classificação Indicativa: Livre


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