Economia & Mercado

Construção civil é fundamental para alavancar industrialização no país, diz presidente do Sebrae

Presidente do Sebrae e vice-presidente da República participaram debateram assunto em Brasília  |  Divulgação / Freepik

Publicado em 27/11/2024, às 13h13 - Atualizado às 13h17   Divulgação / Freepik   Verônica Macedo

Estimular uma mudança de comportamento do setor da construção civil com inovação, sustentabilidade e inclusão para promover uma retomada da industrialização do país. Este foi o foco da participação do presidente do Sebrae, Décio Lima, nesta terça-feira (26), na 99ª edição do Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC), em Brasília (DF). No evento, ele integrou o painel sobre a Nova Indústria Brasil (NIB), política pública como vetor de modernização do setor industrial brasileiro.

“Quero ser provocativo e trazer para nós a necessidade de mudar nosso comportamento. Ao mesmo tempo que temos as condições, temos que ser os protagonistas dessa mudança, especialmente os empresários deste setor, que são fundamentais para alavancarmos a inovação na industrialização do país”, apontou Décio Lima, que alertou para outros pilares da economia na atualidade. “Uma economia sustentável, inovadora e globalizada não pode existir sem a promoção da inclusão. Que cresça, fique gigante e não banalize o mal de conviver com mais de 50 milhões de pessoas no Mapa da Fome”, completou.

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Falando aos empresários do setor, Lima deixou as portas do Sebrae abertas para os negócios da construção civil e lembrou que o segmento é composto por cerca de 3,4 milhões de empresas, com o predomínio de aproximadamente 90% de Micro e Pequenas Empresas (MPE). Somente este ano, o Sebrae já realizou cerca de 5 milhões de atendimentos voltados especificamente para esse segmento. 

“O Sebrae é de vocês. Tudo isso que produzimos pertence a vocês. O Setor da Construção Civil deve abraçar o Sebrae, que é uma porta de sonhos que se concretizam dentro deste espírito empreendedor”, destacou. 

Para apoiar o setor da construção civil, o Sebrae sugere que as empresas busquem participar do Programa Brasil Mais Produtivo. A iniciativa apoia as micro, pequenas e médias empresas para aumentar a produtividade, otimizar processos e promover a transformação digital dos seus negócios. No total, 6,2 mil empreendedores foram acompanhados por meio da iniciativa que identificou, com o apoio dos Agentes Locais de Inovação (ALI), os principais desafios enfrentados pelos empreendedores nas áreas de processos internos, marketing e faturamento.

Outra linha de atuação acontece por meio do Programa Sebraetec, que alcançou mais de R$ 42 milhões em investimentos, reforçando a importância de soluções inovadoras e tecnológicas para ampliar a competitividade das empresas da Construção Civil. Além disso, o Governo Federal, junto com o Sebrae e outros atores, lançaram o Construa Brasil, um programa que visa facilitar a vida do empreendedor do segmento.

Simplificação 

Durante o encontro, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou uma das missões da política Nova Indústria Brasil (NIB), que é voltada para o setor da Construção Civil e ressaltou a importância da simplificação do Custo Brasil.

“Tivemos uma desindustrialização precoce e severa, antes de o país ficar rico, ficamos mais caros. A industrialização precisa ser recuperada urgentemente”, avaliou. “Tudo que pudermos fazer para melhorar eficiência, a competividade e o Custo Brasil nós faremos. Se não agirmos na causa dos problemas, não teremos o efeito esperado. É uma mudança cultural que temos que ter todo dia”, completou. 

Inclusão 

Pela manhã, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou da abertura do evento e ressaltou o papel do Programa Minha Casa Minha Vida para a economia brasileira. Para o setor da Construção Civil, o programa é um vetor importante na habitação e mercado imobiliário, respondendo por volume relevante de investimento e contribuindo para geração de empregos e renda. Os investimentos do Minha Casa Minha Vida representam 1% do PIB total acumulado de 2023 a 2026. 

“Eu estou feliz porque, se não fosse a compreensão empresarial, a gente não teria o sucesso que tem no Minha Casa, Minha Vida. O governo pode ser o indutor, mas o construtor é quem tem experiência, expertise, sabe construir”, ressaltou Lula. “A gente começou para as pessoas mais pobres. Depois foi evoluindo para dois salários-mínimos. Já passamos para quatro e a gente quer mais, para atender um setor médio da sociedade que ganha seis mil reais, sete mil reais, oito mil reais e que não se sente atendido. São bancários, metalúrgicos, químicos, gráficos, empreendedores”, exemplificou. “Temos que atender essa gente”. 

Ainda no evento, o presidente Lula comentou sobre um pedido ao ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, sobre a elaboração de um programa de construção de banheiros e garantir mais dignidade para as famílias mais pobres. “Falei para o Jader preparar um programa porque nós vamos fazer os banheiros que as pessoas precisam porque se o governo não tem condição de fazer banheiros, não tem condição de nada”, afirmou.

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