Economia & Mercado
Publicado em 22/08/2026, às 08h41 Reprodução / Redes Sociais Tiago Di Araújo
O pedido de recuperação judicial apresentado pelo Grupo Casas Bahia colocou o Bradesco no centro das atenções do mercado financeiro. Com um montante acumulado de R$ 4,78 bilhões em haveres junto à varejista, o banco figura como um dos maiores credores da empresa, levantando questionamentos entre investidores sobre os possíveis impactos dessa exposição no balanço e no processo de recuperação da instituição.
Do montante total devido ao banco, uma parcela expressiva de R$ 3,35 bilhões foi enquadrada na categoria de créditos extraconcursais. Na prática, essa classificação resguarda esses valores das renegociações convencionais do plano de recuperação, permitindo ao Bradesco acionar a execução de garantias atreladas aos contratos originais.
Ao contrário de escândalos recentes em outras gigantes do varejo nacional, o cenário da Casas Bahia não envolve fraudes ou inconsistências contábeis inesperadas. A estrutura de financiamento mantida com o Bradesco envolvia operações conhecidas de antecipação de recebíveis e risco sacado. Por conta disso, analistas monitoram de perto o nível de provisão que a instituição financeira já possui reservado para amortecer o risco da operação.
Apesar da turbulência envolvendo o grupo varejista, os números do Bradesco seguem demonstrando fôlego operacional. No segundo trimestre de 2026, a instituição reportou um lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões, alcançando um retorno anualizado sobre o patrimônio líquido (ROE) de 16%.
Em meio à trajetória de recuperação de rentabilidade do banco, o índice de inadimplência acima de 90 dias encerrou o mês de junho em 4,3%. Para blindar seus balanços de eventuais calotes no setor, a instituição destinou R$ 9,985 bilhões para despesas com provisões de devedores duvidosos (PDD), reafirmando sua estratégia atual de priorizar concessões de crédito atreladas a garantias sólidas.