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Economia & Mercado

Gigante da blindagem de carros pede recuperação judicial com dívida de R$ 371 milhões e risco de despejo

A companhia é homologada por montadoras como Volvo, Jaguar Land Rover, Toyota e BYD.  |  Divulgação

Publicado em 10/10/2026, às 07h04 - Atualizado às 07h05   Divulgação   Redação Bnews

O Grupo Carbon, que se apresenta como líder mundial em blindagem de veículos civis, pediu recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo para renegociar R$ 371,5 milhões em dívidas. O pedido foi protocolado na segunda-feira (5) pela C Blindados e suas controladas Opera Glass e Vertco Blindagem, após atrasos no retorno de investimentos industriais e três ações de despejo por falta de pagamento de aluguel. A informação é do site c-level, da Folha de São Paulo.

Grupo tenta renegociar dívida milionária

Segundo a documentação apresentada à Justiça, 47,6% dos créditos já aderiram ao plano de reestruturação. A empresa afirma que pretendia entrar com o pedido após conquistar o apoio da maioria dos credores, mas antecipou a iniciativa diante das ações de despejo.

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A recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com os credores e submeta o acordo à homologação judicial. Se aprovado, o plano também poderá valer para credores que não aderiram, desde que os requisitos legais sejam cumpridos.

O pedido abrange dívidas sem garantia real, categoria que inclui débitos com fornecedores e bancos sem bens vinculados como garantia.

Aluguéis chegam a R$ 459 mil por mês

As três ações de despejo envolvem um galpão em Barueri, na Grande São Paulo, onde fica a sede do grupo, a fábrica de vidros blindados em Jarinu, no interior paulista, e o showroom na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Juntos, os aluguéis dos imóveis somam R$ 459 mil mensais. A Carbon pediu uma liminar para impedir a desocupação dos espaços durante o período de suspensão das cobranças. Uma das ações, referente ao imóvel de Barueri, está pronta para julgamento após uma tentativa de conciliação sem acordo.

A documentação inclui cerca de 600 credores e 2.700 títulos de dívida. A maior parte das obrigações está concentrada na C Blindados. A Opera Glass responde por aproximadamente R$ 11 milhões, enquanto a dívida da Vertco é inferior a R$ 1 milhão.

Fundos e bancos concentram as dívidas

O maior credor do grupo é o fundo Amadeus, com R$ 95,3 milhões a receber. Na sequência aparecem o Banco Digimais, com R$ 61,4 milhões em debêntures, e o fundo SSG, com R$ 38,4 milhões.

Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Porto Seguro também figuram na lista de credores.

Entre as instituições e fundos citados, Amadeus, SSG e Bradesco aderiram ao plano de reestruturação. Digimais, Banco do Brasil, Santander e Porto Seguro não haviam aderido, segundo a documentação apresentada.

Investimentos industriais pressionaram o caixa

A Carbon atribui a crise ao descompasso entre o endividamento para expandir as operações e o tempo necessário para recuperar os investimentos. Nos últimos cinco anos, a companhia afirma ter aplicado mais de R$ 180 milhões na produção própria de vidros e materiais balísticos.

A estratégia de verticalização começou em 2021, diante da dificuldade de encontrar fornecedores de matérias-primas capazes de acompanhar o crescimento da demanda.

A unidade de Jarinu consumiu cerca de R$ 80 milhões. O início das operações estava previsto para maio de 2025, mas a fábrica só começou a funcionar em abril de 2026. Nesse período, a empresa diz ter arcado com duas folhas de pagamento e com os aluguéis das antigas unidades de Mogi das Cruzes e Atibaia, também em São Paulo.

Dívidas vencem mais rápido que a geração de caixa

No pedido à Justiça, o grupo informou que o custo médio das dívidas é de 22%. Os vencimentos previstos para os próximos 12 meses somam R$ 139 milhões, enquanto a geração de caixa é de R$ 52 milhões.

A empresa sustenta que a operação continua viável e que o principal problema está no endividamento. Em 2025, a receita líquida cresceu 45%, chegando a R$ 673 milhões.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) também aumentou, passando de R$ 15 milhões para R$ 41 milhões no mesmo período.

Carbon afirma responder por 16% do mercado

Fundado em 2015, o Grupo Carbon afirma responder por cerca de 16% das blindagens de veículos civis no Brasil. A companhia tem aproximadamente 1.300 funcionários e prestadores de serviços diretos e produziu mais de 6 mil veículos blindados em 2025.

O grupo reúne as empresas C Blindados, Opera Glass, especializada em vidros blindados, e Vertco Blindagem. A companhia é homologada por montadoras como Volvo, Jaguar Land Rover, Toyota e BYD.

Classificação Indicativa: Livre


TagsCarbonblindagem recuperação judicial

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