Economia & Mercado
Publicado em 24/07/2026, às 18h20 Devid Santana / BNews Thiago Teixeira
Com um ecossistema formado por mais de 250 indústrias ativas nos segmentos de saneantes, cosméticos e tintas, conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego, a Bahia é palco, mais uma vez, de um evento que promete impulsionar o polo industrial do Nordeste.
A 8ª edição da ExpoTech ocorre nos próximos dias 27 e 28 de julho, no Centro de Eventos do Senai Cimatec, com foco em impulsionar a competitividade, gerar inovação tecnológica e ampliar o relacionamento de mercado das micro, pequenas e médias empresas do setor.
O BNews marcou presença na cerimônia de lançamento do evento nesta sexta-feira (24), no Restaurante Barbacoa, no Caminho das Árvores. Em conversas com a reportagem, o diretor do evento, Juan Rosario Lorenzo, reforçou o propósito da Expotech de aproximar a indústria, especialmente as micro, pequenas e médias empresas, dos principais fornecedores e das tecnologias mais avançadas do mercado.
A situação atualmente é difícil, um aumento de custos absurdo devido a essa elevação do petróleo de 60 a 70% dos cosméticos, saneantes e tintas decorrem do petróleo. Toda a infraestrutura, a logística totalmente afetada. Mas nós estamos sempre nos reinventando, sempre criando, né, construindo uma indústria mais forte e um país mais forte", pontuou Juan Rosario Lorenzo.
Sob o tema "Apaixonados por Industrializar", a feira contará com 92 estandes de fornecedores de matérias-primas, máquinas, equipamentos e insumos, projetando atrair um público estimado em mais de 2 mil visitantes.
Nesta edição, a ExpoTech apresenta um crescimento de cerca de 10% no volume de expositores em comparação ao ano anterior, incorporando ampliações estruturais como um espaço exclusivo focado em máquinas e equipamentos industriais. Para o coordenador de indústria do Sebrae Bahia, Tercio Calmon, o crescimento pode ser ainda maior.
A gente tem a expectativa de um crescimento de 30% para esse ano. Teremos 92 expositores, né, e a expectativa de mais de 2.000 participantes ao longo de todos os dias do evento. [...] Cerca de 94% das indústrias da Bahia são empresas de pequeno porte. Essas empresas, elas têm uma dificuldade em participar de um evento, de buscar fornecedores fora do estado porque passagem aérea, hospedagem, né, o deslocamento da equipe, às vezes é inviável para uma pequena empresa", destacou Tercio Calmon.
Para o presidente do Sindcosmetic Bahia, Raul Menezes, a ExpoTech facilita o acesso dos empresários às novidades do setor. Ele destacou que o setor tem se saído bem diante do tarifaço dos Estado Unidos. No entanto, pontuou que o encarecimento do barril de petróleo Brent tem imposto grandes desafios ao mercado devido à matéria-prima.
A maioria da nossa matéria-prima é importada. Qualquer coisa no comércio internacional prejudica nossa base insumos. Nós fabricamos com matéria-prima importada do Oriente Médio. Antigamente era dos Estados Unidos e Europa. Hoje nós estamos com a presença muito forte da Ásia e do Oriente Médio", frisou Raul Menezes.
Presidente do Sindicato de Tintas, Arlene Vilpert detalhou a dinâmica do mercado regional, ressaltando o papel da logística na competitividade das indústrias locais. Ao BNews, ela falou sobre o fenômeno de desindustrialização do Brasil, principalmente no setor têxtil, que dialoga diretamente com a indústria de cosméticos.
Apesar de reconhecer o problema do "êxodo industrial" para o Paraguai — diante da carga tributária menor e potenciais isenções fiscais —, Arlene Vilpert não acredita que esse fenômeno ocorra na indústria de tintas.
Esse é um movimento muito forte. Em 2004, eu estive em Assunção, no Paraguai, para buscar essa viabilidade. Como nós estamos no Nordeste e a indústria de tintas é movida pela logística, eu vejo que tem que ser muito bem estudada a viabilidade e competitividade de produzir lá e trazer para o Brasil. Mas que precisamos olhar com carinho, precisamos estar sempre atentos ao que o mercado está se reposicionando", comentou Arlene Vilpert.