Economia & Mercado

Bolsas feitas com peixe gigante valem grana alta, mas lucro não chega para pescadores na Amazônia

Pele de peixe tem se convertido em produtos de luxo na indústria da moda; saiba mais  |  Reprodução / Internet

Publicado em 18/08/2025, às 13h04 - Atualizado às 13h58   Reprodução / Internet   Vagner Ferreira

A pele do peixe pirarucu, espécie que esteve ameaçada de extinção por muito tempo, tem se transformado em produtos de luxo na indústria da moda e recebido apoio de autoridades ambientais. No entanto, os lucros nem sempre chegam aos pescadores que garantem a preservação da espécie.

Segundo a BBC, marcas como Osklen e Piper & Skye afirmam que a prática é sustentável, promove economia circular, aumenta a renda das comunidades ribeirinhas e contribui para a preservação da Amazônia. Ainda assim, integrantes desses grupos relatam que grande parte do dinheiro não chega a quem realmente mantém a espécie viva.

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O pescador amazonense Pedro Canízio, vice-presidente da Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu de Mamirauá (Femapam), disse ter ficado surpreso ao ver o preço das bolsas feitas com a pele do peixe, enquanto o quilo do pirarucu custa, em média, R$ 11.

A consultora Fernanda Alvarenga, responsável por um estudo sobre o mercado do couro de pirarucu, ressalta que é essencial trazer o debate à tona, garantindo um olhar mais consciente sobre a atividade econômica e sua importância para a conservação da espécie.

A pesca do pirarucu é regulamentada pelo Ibama, permitindo a captura de apenas 30% dos adultos e somente em períodos específicos. Comunidades locais vigiam e protegem os lagos contra invasões. Grande parte das peles segue para frigoríficos e, depois, é transformada em couro para calçados, bolsas e outros acessórios. Apenas 5% das peles são comercializadas por associações comunitárias, que ainda lutam para desenvolver suas próprias marcas devido à falta de recursos.

Ana Alice Oliveira de Britto, da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), afirmou: “É uma indústria cara, seria um novo negócio. No futuro, talvez possamos processar o couro além de vender a carne do peixe”.

O tema ganha destaque justamente no ano em que o Brasil sediará a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), conhecida como COP das Florestas ou da Amazônia. José Leal Marques, diretor comercial da Nova Kaeru na Amazônia, defende: “Nosso papel não é só comprar a pele, mas investir na Amazônia, na qualificação de mão de obra, na pesca e captura do pirarucu”.

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