Economia & Mercado
Publicado em 01/05/2024, às 08h00 Divulgação / Freepik Verônica Macedo
Sustentabilidade e governança são palavras da moda no mundo corporativo. O que não faltam são propagandas de empresas que alardeiam adotar uma política ESG para conquistar consumidores e investidores. Mas não basta que as empresas pareçam sustentáveis, elas precisam, de fato, ser.
Inscreva-se no canal do BNews no WhatsApp.
“Se não houver uma política clara que implemente medidas e atendam aos preceitos do ESG, as pessoas vão descobrir e o efeito pode ser desastroso para as marcas”, comenta Maria Heloisa Chiaverini de Melo, advogada especialista em Compliance, Governança e Direito Digital, e mestre em Ciências Sociais.
Ela e o especialista em ESG Marcelo Pereira, diretor da BrevenLaw, detalham os passos que as empresas precisam seguir para implantar políticas eficazes de governança e sustentabilidade.
“O primeiro é avaliar todos os riscos e impactos ambientais, sociais e de governança da empresa. Isso envolve a utilização de sistemas que permitem uma análise interativa, com mapas de calor e matrizes de riscos, além da criação de relatórios detalhados para garantir transparência”, comenta Pereira.
Após a identificação dos riscos, diz a advogada, é preciso mitigá-los. “É recomendável documentar cada passo das ações, seguindo processos como o 5W2H, e implementar sistemas de monitoramento. Essa avaliação de riscos deve se estender à cadeia de suprimentos, utilizando tecnologia para otimizar o processo e garantir uma análise completa. Documentar esse passo a passo é a forma de a empresa comprovar que seguiu a cartilha à risca”, detalha Maria Heloísa.
Mas nem só de tecnologia se constrói uma política de governança. As empresas precisam do capital humano para que essa cultura funcione de fato. Para tanto, é imprescindível criar canais de comunicação interativos com os colaboradores para que todos estejam informados e treinados sobre os regulamentos de ESG.
“Além disso, é preciso engajar a equipe no processo e isso começa com o envolvimento da liderança, que precisa incentivar uma cultura de governança e sustentabilidade”, explica a advogada.
Consistência
A governança deve ser robusta, com ferramentas de gestão das informações e avaliação contínua de todos os setores. “O compromisso com a transparência implica na geração de relatórios de sustentabilidade que sigam protocolos reconhecidos, como GRI e SASB, evidenciando o progresso em relação aos objetivos de ESG. É preciso prestar contas de todo o processo”, explica a especialista.
Uma política séria de ESG pressupõe transparência e honestidade sobre os desafios e conquistas. “É preciso evitar promessas que não possam ser cumpridas para construir uma relação de confiança com colaboradores, fornecedores, parceiros, investidores e, principalmente, com o público”, conta Pereira.
A busca por melhorias contínuas, investimento em novas tecnologias e no aprendizado com as melhores práticas do mercado são a chave para o sucesso do programa de ESG. “Implementar uma política ESG exige comprometimento, transparência e uma abordagem sistemática. Seguindo essas diretrizes, as empresas podem evitar o greenwashing (“maquiagem verde” ou “lavagem verde”), mas também se posicionar como líderes responsáveis no cenário global”, define Maria Heloísa.
Confira avaliação do Relatório do BC sobre estabilidade financeira do Brasil
Caixa: Pagamento da parcela de abril do Bolsa Família encerra nesta terça-feira (30)