Economia & Mercado
Publicado em 11/10/2024, às 11h03 - Atualizado às 11h11 Divulgação / Freepik Verônica Macedo
O conflito em uma das regiões mais estratégicas do mundo, tanto em termos de geopolítica quanto de recursos naturais, rapidamente elevou a volatilidade nos mercados e impulsionou a alta nos preços do petróleo. Isso significa que, desde o início do conflito, investidores estão reagindo com cautela diante da crescente incerteza sobre o futuro da oferta global de petróleo, afetando diretamente diversas áreas da economia.
É o que afirma Rodrigo Miranda, treinador comportamental e especialista em mindset financeiro, em trading de criptomoedas e criador da Universidade do Bitcoin, a UniBtc.
“O petróleo, considerado o “ouro negro”, é altamente sensível a tensões no Oriente Médio, e a atual crise não é exceção. O barril Brent – referência para o petróleo mundial – registrou alta pela sexta vez consecutiva na última sexta-feira; subindo para $ 78,68. Já o petróleo WTI subiu pela quarta sessão consecutiva, registrando atuais $ 74,75”, explica Miranda.
De acordo com o especialista, em meio ao conflito está o Estreito de Ormuz, região altamente estratégica, sendo responsável por conduzir 21% do petróleo do mundo. Diariamente, passam por lá cerca de 20 a 30 milhões de barris de petróleo, o que corresponde a 30% do mercado mundial.
Miranda ressalta que a instabilidade nos mercados também tem pressionado os preços de outros ativos relacionados à energia, como gás natural e carvão. “O aumento dos custos de energia afeta diretamente diversas economias, em especial as que dependem de importações de petróleo. Europa e Ásia, grandes consumidores da commodity, enfrentam o desafio de lidar com a elevação dos custos de produção e transporte, além de uma possível aceleração das taxas de inflação, já agravadas pela guerra na Ucrânia e pelas interrupções nas cadeias globais de suprimentos”, diz.
Ele também salienta que, no Brasil, os impactos sobre o aumento do petróleo são imediatos. “O reflexo instantâneo é o aumento dos combustíveis, como gasolina e diesel. Com o valor do diesel alto, eleva-se os custos com transporte, principalmente de caminhões e, consequentemente, esse custo é repassado aos alimentos, gerando inflação”, pontua.
Miranda também destaca: “A incerteza quanto ao prolongamento do conflito e suas implicações para a economia global mantém os investidores cautelosos. Além dos mercados tradicionais, o conflito Irã X Israel também está afetando o mercado de criptomoedas. Em tempos de crise, muitos investidores buscam ativos alternativos como refúgio, e o Bitcoin, frequentemente chamado de "ouro digital", tem se mostrado um destino popular”.
Segundo ele, por outro lado, a volatilidade também é um fator relevante no mercado de criptomoedas. “Embora alguns investidores vejam as criptos como uma alternativa segura em tempos de incerteza, o mercado continua instável, com riscos de liquidações rápidas devido ao comportamento especulativo de muitos investidores”.
Para o especialista financeiro, a alta no Bitcoin, por exemplo, foi acompanhada por movimentos bruscos de venda, o que pode gerar correções rápidas no preço e, além disso, países afetados por sanções, como o Irã, podem aumentar o uso de criptomoedas para contornar bloqueios financeiros, intensificando o uso desses ativos digitais em um cenário de conflito prolongado.
“O conflito entre Irã e Israel tem trazido grandes desafios para o mercado financeiro global, com o petróleo sendo o principal catalisador das mudanças. Enquanto o preço da commodity continua a subir, os investidores se voltam para ativos alternativos, como o Bitcoin, em busca de segurança. A evolução do conflito continuará moldando o comportamento dos mercados nas próximas semanas, enquanto a incerteza permanece alta”, finaliza Miranda.
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