Economia & Mercado
Publicado em 21/08/2026, às 07h15 Divulgação Redação Bnews
A Polícia Federal (PF) investiga uma possível “maquiagem contábil” nas Casas Bahia para apurar se a varejista teria alterado dados financeiros com o objetivo de reduzir ou evitar o pagamento de bônus e premiações a gerentes de lojas. A investigação mira o sistema de metas da companhia, que utiliza o faturamento das unidades como base para calcular a remuneração variável dos funcionários. A informações e da coluna de Manoela Alcântara, do Metrópoles.
A suspeita inicial é de que a empresa tenha omitido os juros de vendas parceladas nos relatórios de desempenho, contabilizando apenas o “valor à vista” dos produtos.
Segundo investigadores, a apuração deve analisar como a própria infraestrutura tecnológica das Casas Bahia teria sido utilizada para produzir números que não refletiriam integralmente o faturamento das vendas.
Entre os sistemas internos analisados estão o PRWEB e o Looqbox, ferramentas usadas no acompanhamento de metas relacionadas a mercantil, móveis, serviços e crédito próprio da companhia.
A suspeita é de que esses sistemas tenham sido usados para excluir juros e encargos das vendas parceladas dos relatórios de faturamento das lojas. Com isso, a base utilizada para o cálculo dos bônus dos gerentes seria reduzida.
Os investigadores já reuniram documentos que podem auxiliar na apuração. Há relatos de gerentes que afirmam não ter recebido integralmente as premiações.
Ao questionarem a companhia, segundo esses relatos, os funcionários teriam sido informados de que os juros cobrados nos carnês pertenciam a bancos parceiros.
A PF, porém, dispõe de ofícios do Banco Central e do Bradesco que, segundo a investigação, contradizem essa versão. Os documentos indicariam que a própria Casas Bahia era responsável pelas operações de crédito e que a parceria com o banco não abrangia o crediário por carnê.
A partir desses elementos, a PF investiga a possível ocorrência de fraude ou falsificação. Os investigadores também apuram se a prática teria alcance mais amplo, já que os mesmos sistemas internos são utilizados por lojas da companhia em diferentes regiões do país.
A investigação ocorre em meio ao fechamento de quase 300 lojas das Casas Bahia em agosto e ao pedido de recuperação judicial apresentado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Ao todo, a empresa tenta renegociar dívidas estimadas em R$ 17,3 bilhões. O plano de reestruturação prevê o fechamento de 298 lojas e a demissão de 1,9 mil a 3 mil funcionários.
Atualmente, a companhia conta com proteção temporária contra credores enquanto aguarda a análise do pedido de recuperação judicial, protocolado no domingo (16).
Por decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), as demissões coletivas da empresa estão suspensas.