Economia & Mercado

Planta brasileira vira aposta de projeto bilionário para produção de combustível sustentável

Projeto bilionário visa transformar a macaúba em fonte de combustível sustentável, com investimentos de US$3 bilhões em Minas Gerais  |  Divulgação

Publicado em 20/08/2026, às 19h24   Divulgação   Analu Teixeira

Uma planta nativa brasileira ainda pouco explorada comercialmente está no centro de um projeto bilionário voltado à produção de combustíveis renováveis. A macaúba é a matéria-prima estudada no Acelen Agripark, complexo agroindustrial localizado em Montes Claros, em Minas Gerais, que completou um ano de operação.

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O centro foi desenvolvido pela Acelen Renováveis com o objetivo de viabilizar o cultivo da espécie em larga escala e utilizá-la futuramente na produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel Renovável (HVO). O projeto da companhia prevê investimentos de US$3 bilhões.

Um dos principais desafios enfrentados pelos pesquisadores está justamente no início da cadeia, a germinação da macaúba. Naturalmente, apenas cerca de 3% a 5% das sementes germinam. Estudos conduzidos em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), segundo a empresa, conseguiram elevar esse índice para mais de 80%.

Parte desse avanço ocorre em uma biofábrica de 1,5 mil metros quadrados, onde processos robotizados são utilizados para realizar a escarificação das sementes, procedimento que rompe ou desgasta parte de sua camada externa para favorecer a germinação.

A estrutura tem capacidade para escarificar até 1,7 milhão de sementes por mês, com processamento de uma unidade por segundo. A tecnologia é considerada essencial para que a produção de mudas alcance uma escala compatível com os planos industriais da companhia.

O complexo também possui um viveiro com capacidade para produzir 10,5 milhões de mudas por ano, além de uma linha automatizada de semeadura com sistemas que permitem acompanhar individualmente o desenvolvimento das plantas.

Da semente ao combustível

O Acelen Agripark recebeu investimento de R$314 milhões, sendo R$258 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além da biofábrica e dos viveiros, a estrutura reúne laboratório de Pesquisa & Desenvolvimento e uma usina piloto.

No laboratório, podem ser realizadas até 160 mil análises por ano envolvendo diferentes etapas da cadeia, como solo, água, frutos, óleo e efluentes.

Já a usina piloto tem capacidade para processar até duas toneladas de frutos de macaúba por hora. O espaço é utilizado para testar e aperfeiçoar os processos de extração do óleo que posteriormente poderão ser empregados em escala industrial.

"O primeiro ano do Acelen Agripark confirma que a inovação é o caminho para transformar o potencial da macaúba em uma nova cadeia produtiva", afirmou Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis.

Os planos da empresa envolvem o cultivo de 144 mil hectares de macaúba, inclusive com expansão da cultura em áreas degradadas. A produção agrícola deverá abastecer a futura fabricação de SAF, combustível sustentável destinado à aviação, e HVO, conhecido como diesel renovável. A projeção é alcançar uma capacidade de 1 bilhão de litros dos dois combustíveis por ano.

Atualmente, o centro agroindustrial conta com 146 colaboradores e mantém parcerias com universidades, instituições e centros de pesquisa. Segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) citado pela companhia, o projeto completo tem potencial para movimentar US$ 40 bilhões na economia brasileira e gerar até 85 mil empregos durante sua implementação.

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