Economia & Mercado
Publicado em 22/06/2026, às 07h00 Divulgação Redação BNews
O empresário mineiro Lucas Kallas, apontado como aliado do banqueiro Daniel Vorcaro, voltou ao centro das atenções após vir à tona a informação de que ele estaria se movimentando para obter autorização do Banco Central do Brasil para operar uma instituição financeira própria, segundo o jornalista Guilherme Amado.
Apesar de ser apontado como um dos nomes de destaque do setor de mineração, Kallas aparece em diferentes investigações policiais e relatórios de CPIs ao longo dos últimos anos, além de figurar em redes de relacionamento com outros empresários do setor financeiro, como o próprio dono do Banco Master.
Quem é o empresário
Kallas é conhecido no setor de mineração, especialmente por comandar as empresas Cedro Mineração e Cedro Participações. Ao longo dos últimos anos, ampliou sua atuação para áreas como logística, infraestrutura e investimentos estruturados, construindo um grupo empresarial com presença relevante no setor mineral e em projetos ligados à cadeia do aço.
Nos bastidores, também é descrito como um investidor com atuação em reestruturações de ativos e participação em empresas de diferentes segmentos, incluindo biotecnologia e serviços financeiros.
O empresário também foi sócio de Vorcaro em alguns negócios, incluindo a Biomm, empresa do setor de biotecnologia, e a gestora Latache Capital. Recentemente, no entanto, anunciou sua saída dessas sociedades, em meio a um "processo de reorganização de seus investimentos".
Relação com o dono do Banco Master
Mensagens e registros obtidos pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre a instituição financeira apontam que Kallas e Daniel Vorcaro viajaram juntos a Caracas, na Venezuela, no fim de 2023, para tratar de oportunidades no setor de petróleo.
Segundo os documentos, os dois teriam participado de agendas no mesmo período e se hospedado no mesmo hotel. O episódio ocorreu em um momento de flexibilização temporária de sanções internacionais ao setor energético venezuelano.
Com a retomada das sanções em 2024, o interesse do Banco Master teria sido reduzido, enquanto Kallas teria mantido tratativas próprias no setor, segundo fontes citadas em investigações e reportagens. A versão é negada pelo empresário.
Presença em agendas institucionais
Nos últimos anos, Lucas Kallas também passou a frequentar agendas em Brasília ligadas ao setor de mineração e infraestrutura. Registros oficiais apontam entradas em ministérios e participação em eventos institucionais do governo federal.
Em 2023, passou a integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o “Conselhão” da Presidência da República, colegiado formado por empresários, acadêmicos e representantes da sociedade civil.
No discurso público, o empresário se apresenta como defensor de uma mineração moderna, baseada em práticas de sustentabilidade, reaproveitamento de rejeitos e redução de impactos ambientais.
Citado em CPIs
Em 2008, Kallas foi preso no âmbito da Operação João de Barro, da Polícia Federal, que apurou fraudes em licitações de obras públicas. O processo não resultou em condenação definitiva.
Em 2020, voltou a ser citado na Operação Ouro Negro, da Polícia Civil de Minas Gerais, que investigou suspeita de extração irregular de minério em área ambientalmente protegida em Nova Lima. A empresa envolvida negou irregularidades.
O empresário também foi mencionado no relatório final da CPI de Brumadinho, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em apurações sobre empresas ligadas ao aproveitamento econômico de rejeitos da barragem B1 da Mina Córrego do Feijão, rompida em 2019.