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Economia & Mercado

‘Sacolas’, R$ 50 milhões e seis imóveis de luxo: O que mensagens revelam sobre relação de Vorcaro com ex-presidente do BRB

Propostas de delação de Daniel Vorcaro e do ex-presidente do BRB foram rejeitadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR)  |  Divulgação - Arquivo/Agência Brasil - Divulgação/BRB

Publicado em 30/09/2026, às 06h31   Divulgação - Arquivo/Agência Brasil - Divulgação/BRB   Redação Bnews

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, recebeu ao menos cinco sacolas e encomendas entregues pelo motorista do banqueiro Daniel Vorcaro em Brasília, em 2025, segundo mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Vorcaro. As entregas ocorreram enquanto o BRB negociava a compra do Banco Master e buscava autorização do Banco Central (BC) para concluir a operação.

Nas conversas com Vorcaro, Costa chamava as retiradas de “reunião com o Sidney”, nome do motorista que administrava a casa do banqueiro no Lago Sul. As informações são da colunista Natalia Portinari, do Uol.

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Sacola foi entregue antes do anúncio do negócio

A primeira entrega registrada ocorreu em 7 de fevereiro de 2025, antes de o negócio entre o BRB e o Master ser anunciado oficialmente.

Vorcaro perguntou a Costa onde “minha pessoa” poderia encontrá-lo no fim do dia. “Será que não podia pegar na casa?”, respondeu o então presidente do BRB.

No dia seguinte, Costa perguntou se poderia passar na casa. “Sim. Sidney esperando”, respondeu Vorcaro. Ao motorista, Costa escreveu: “Paulo está indo pegar sacola”.

Mais tarde, o motorista avisou: “Dr Paulo já veio buscar”. Horas depois, Costa escreveu a Vorcaro: “Estive com o Sidnei”.

‘Vinho’ foi levado ao prédio de Costa

Em 14 de março, o motorista pediu a Vorcaro o endereço de Costa para fazer uma nova entrega. “Depois mandar end. PH deixar encomenda”, escreveu.

Uma semana depois, o motorista buscou um envelope com um contato que havia desembarcado em Brasília. “Acabei de pegar o doc”, escreveu. Vorcaro então orientou: “Vc vai pegar o vinho e levar mais tarde para a casa do paulo”.

Na manhã seguinte, o motorista esperou Costa descer do prédio onde morava e avisou: “Está entregue”.

Pouco depois, o então presidente do BRB agradeceu a Vorcaro: “Muito obrigado pelo vinho! A safra é bem especial? rs”.

Em uma proposta de delação premiada apresentada à PF, Vorcaro afirmou que “vinho” era um código para propina.

Encomenda chegou de São Paulo

Em 23 de maio, enquanto BRB e Master negociavam com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), Vorcaro perguntou a Costa: “Você pode passar lá no Sidney amanhã?”. “Sim”, respondeu o então presidente do BRB.

Em 8 de julho, Vorcaro pediu ao motorista para “pegar encomenda com Berg e entregar pro Paulo Henrique”. Berg é José Alfredo Berg Filho, piloto que coordenava os jatos do banqueiro.

A encomenda chegou de São Paulo no avião de Vorcaro naquela noite. Naquele período, o BRB trabalhava para entregar ao BC documentos exigidos para a aprovação da compra do Master.

Nos dias seguintes, Vorcaro perguntou três vezes a Costa se ele tinha ido “no Sidney”. O então presidente do BRB respondeu que ainda não havia conseguido “se reunir” com o motorista.

“Tentei marcar a reunião com o Sidney, mas não consegui. Cheguei a enviar uma mensagem para o endereço eletrônico hoje à tarde, mas ele não respondeu”, escreveu Costa.

Vorcaro respondeu que estava preocupado com “esse tema”. “Qual deles?”, perguntou Costa. “Sidney”, respondeu o banqueiro. “Rsrs. Blz. Já cuido”, escreveu o presidente do BRB.

Na mesma manhã, o motorista avisou: “Já entregue encomenda PH”. As mensagens não registram o conteúdo da sacola, do envelope ou da encomenda.

Delação cita R$ 50 milhões em criptomoedas

Na proposta de delação premiada apresentada à PF, Vorcaro afirmou que parte da suposta propina destinada a Costa foi paga em criptomoedas, em valor estimado de R$ 50 milhões.

Segundo o banqueiro, os criptoativos foram armazenados em pen drives com cerca de R$ 5 milhões cada. Ele afirmou ter feito duas entregas pessoalmente e enviado outros valores “em envelopes encaminhados por avião para o motorista do Colaborador em Brasília/DF, chamado Sidney”.

A versão mais recente da proposta reproduz as mensagens sobre o envelope de março, quando o motorista disse ter pegado “o doc” e recebeu a ordem de levar “o vinho” à casa de Paulo.

A terceira versão da proposta também acrescentou que Costa teria recebido dinheiro em espécie, informação que não aparecia nas versões anteriores.

Segundo Vorcaro, os valores eram entregues pelo piloto Berg ao motorista, “que, por sua vez, levava até Paulo Henrique”.

Para sustentar esse trecho, a proposta reproduz a mensagem de julho: “Pegar encomenda com berg e entregar pro paulo Henrique”.

Vorcaro afirmou ainda que o restante da suposta propina seria pago por meio de imóveis, que não chegaram a ser totalmente transferidos. Mensagens sobre seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões foram usadas como base para a prisão do ex-presidente do BRB.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou as propostas de delação de Vorcaro e de Costa.

Defesas contestam divulgação

A defesa de Vorcaro afirmou que “repudia a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada”.

“A defesa não confirma o conteúdo do material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas.”

“O material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade. A defesa reafirma que Daniel Vorcaro possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades.”

A defesa de Costa foi procurada, mas não respondeu.

Classificação Indicativa: Livre


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