Economia & Mercado
Publicado em 29/07/2026, às 08h58 Reprodução Redação Bnews
A chegada da Shein à Bolsa de Valores de Hong Kong, prevista para o fim do terceiro trimestre de 2026, deve aumentar a pressão sobre gigantes brasileiras do setor de moda, como Renner, Riachuelo e C&A.
Com mais capital em caixa após o IPO (oferta pública inicial de ações), a empresa chinesa pode ganhar força para reduzir preços e disputar ainda mais o consumidor brasileiro, que busca roupas mais baratas.
A movimentação pode influenciar a disputa por preços nas lojas. As empresas brasileiras avaliam que precisarão acelerar melhorias em operação, produtos e experiência de compra para enfrentar uma concorrente com forte presença digital e preços agressivos.
IPO pode dar mais força para a Shein competir no Brasil
Segundo a Folha de São Paulo, um relatório do BTG Pactual divulgado neste mês apontou que, após levantar recursos com a abertura de capital, a Shein terá capacidade para praticar preços ainda mais baixos e ampliar sua vantagem competitiva no mercado brasileiro.
Segundo a análise, as varejistas nacionais terão dificuldade para disputar diretamente pelo menor preço e precisarão apostar em diferenciação.
"As varejistas brasileiras continuarem a se diferenciar por meio do desenvolvimento de produtos mais ágil, marcas mais fortes, capacidades omnichannel [múltiplos canais de comunicação com o cliente], personalização impulsionada por inteligência artificial e uma experiência do cliente superior, em vez de dependerem apenas de preços", dizem os analistas do BTG.
Consumidor pode sentir disputa no bolso
Desde que a Shein chegou ao Brasil durante a pandemia, as grandes redes de moda passaram a enfrentar o desafio de competir com preços baixos sem comprometer as próprias finanças.
A chamada "taxa das blusinhas", imposto de importação de 20% para compras internacionais de até US$ 50, havia reduzido parte da vantagem da concorrente chinesa, segundo as varejistas brasileiras.
O tributo federal foi zerado em maio. Após a mudança, o volume de encomendas internacionais voltou a crescer. Em junho, foram 28 milhões de pedidos, contra 13 milhões no mesmo período do ano passado.
O ministro Dario Durigan (Fazenda) afirmou que pode propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a volta da taxação.
Ações de Renner, Riachuelo e C&A caem na Bolsa
A reação do mercado financeiro também refletiu a preocupação com a concorrência internacional, de acordo com o jornal. Entre 11 de maio, véspera da revogação da "taxa das blusinhas", e sexta-feira (24), as ações das principais empresas brasileiras de moda registraram quedas.
A C&A acumulou recuo de 17%, seguida por Riachuelo, com queda de 12,5%, e Lojas Renner, com baixa de 3,5%. No mesmo período, o Ibovespa caiu 4%.
A XP estima que o fim do imposto pode gerar impacto negativo de até 5% nas vendas do setor de vestuário.
Juros altos também pressionam lojas brasileiras
Além da concorrência da Shein, as varejistas enfrentam outro problema: a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) em dois dígitos há quatro anos.
O cenário de juros elevados aumenta o custo de financiamento das empresas, reduz margens e dificulta investimentos. Para os consumidores, principalmente os de menor renda que dependem de parcelamentos, o crédito mais caro também pesa na decisão de compra.
No acumulado do ano, C&A, Riachuelo e Lojas Renner registram perdas de 26%, 11% e 1,5% nas ações, respectivamente. No mesmo período, o Ibovespa avançou 9%.