Economia & Mercado

Todo mundo quer proteína: Empresa investe milhões de euros no Brasil para surfar onda dos iogurtes fitness

Empresa amplia produção em Poços de Caldas (MG) para atender aumento da procura por iogurtes proteicos; CEO diz que quer fazer operação brasileira crescer acima da matriz francesa.  |  Ilustrativa | Pixabay

Publicado em 05/08/2026, às 07h38   Ilustrativa | Pixabay   Redação Bnews

A Danone decidiu ampliar sua capacidade de produção no Brasil diante da explosão do consumo de alimentos ricos em proteína.

O movimento inclui investimentos de “alguns milhões de euros” nas fábricas de Poços de Caldas (MG) para aumentar a oferta de iogurtes proteicos, principalmente do YoPro, linha que já ocupa o segundo lugar entre os produtos mais vendidos da companhia no país.

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O CEO da Danone Brasil, Tiago Santos, afirmou em entrevista ao jornal Folha de São Paulo que a estratégia acompanha uma mudança no comportamento dos consumidores e que pretende fazer a operação brasileira crescer acima da matriz francesa.

“Eu quero crescer mais que a matriz em vendas e quero que a rentabilidade do Brasil cresça mais que a da matriz. Nos últimos dois anos e meio, posso falar que temos conseguido isso. Esse é o nosso mandato”, disse em entrevista à Folha.

YoPro ganha espaço com alta da busca por proteína
Lançado no Brasil em 2018, o YoPro foi inicialmente direcionado para atletas de alto rendimento e praticantes de treinos intensos. Com o aumento do interesse por alimentação saudável e bem-estar, o produto passou a alcançar um público mais amplo.

A linha combina whey protein e caseína, duas proteínas do leite, e hoje fica atrás apenas do iogurte Danone no ranking de vendas da empresa no país. Na sequência aparecem Activia e Danoninho.

“O tamanho e o dinamismo do mercado de proteína são únicos no Brasil. Tem outros países com algumas nuances parecidas, mas não com esse lado de proteína voltado para performance”, afirmou Santos.

Investimento acompanha nova demanda dos consumidores
A expansão das fábricas da Danone em Poços de Caldas foi aprovada pelo grupo global há dois anos e tem como foco atender a procura crescente por produtos proteicos. Desde a pandemia, a matriz investiu R$ 1 bilhão no Brasil, segundo Santos.

Ele afirma que os aportes não dependem do crédito doméstico e que o cenário de juros elevados afeta menos a empresa.

“Fazemos investimentos onde achamos que terá mais procura; ninguém investe para ter máquina vazia”, disse o executivo.

Segundo Santos, a decisão não foi motivada apenas pelo avanço dos medicamentos GLP-1, mas faz parte de uma estratégia para consolidar a presença da Danone no mercado de proteínas. “Não dá para colocar um omelete no bolso”, brincou.

Proteína ganha força com mudanças nos hábitos de consumo
O interesse pelo termo “proteína” aumentou 350% nos últimos cinco anos, segundo dados do Google Trends. O crescimento acompanha a presença de novos produtos nas prateleiras, como barrinhas, bebidas, sorvetes e outros alimentos com maior concentração do nutriente.

Um levantamento da Scanntech em parceria com a McKinsey apontou que o consumo de iogurtes proteicos por brasileiros cresceu 16% entre janeiro e outubro do ano passado.

A demanda também tem relação com o uso de medicamentos GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, que reduzem o apetite e podem acelerar a perda de massa magra quando não há uma alimentação adequada e prática de exercícios. Nesse cenário, alimentos com alta concentração de proteína e baixo volume passaram a ganhar espaço entre consumidores.

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