Economia & Mercado

Transporte público consome até 18% do salário mínimo de famílias de baixa renda

Pesquisa da UnB mostra que gastos com transporte comprometem a renda de quem ganha um salário mínimo, especialmente em regiões periféricas  |  Joilson César/Bnews

Publicado em 09/07/2026, às 04h00   Joilson César/Bnews   Analu Teixeira

O custo do transporte público pode comprometer até 18% da renda líquida de trabalhadores que recebem um salário mínimo, segundo um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB).

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O levantamento aponta que os gastos mensais com ônibus e metrô chegam a cerca de R$260 para a população de baixa renda, reduzindo significativamente o orçamento destinado a despesas essenciais. 

De acordo com a pesquisa, o impacto é maior entre pessoas que vivem nas regiões periféricas e precisam percorrer longas distâncias diariamente para trabalhar ou estudar. Enquanto famílias com maior poder aquisitivo destinam uma parcela menor da renda ao transporte, os trabalhadores de baixa renda acabam arcando com um peso proporcionalmente muito maior.

Os pesquisadores afirmam que o atual modelo de financiamento do transporte coletivo amplia as desigualdades sociais e pode limitar o acesso da população ao mercado de trabalho, já que o alto custo das passagens dificulta o deslocamento e influencia até mesmo nos processos de contratação.

O estudo utiliza como referência os valores praticados no Distrito Federal, onde a tarifa de ônibus urbano chega a R$5,50 e algumas linhas metropolitanas ultrapassam R$11. Apesar disso, os pesquisadores avaliam que o cenário é semelhante ao observado em outras capitais brasileiras, onde o custo da mobilidade também representa um desafio para milhares de trabalhadores.

Tarifa zero

Como alternativa, o estudo defende a implementação da tarifa zero nas 27 capitais brasileiras e em suas regiões metropolitanas. Segundo os pesquisadores, a medida teria potencial para injetar cerca de R$45,6 bilhões por ano na economia, ao permitir que recursos atualmente destinados ao pagamento das passagens fossem direcionados ao consumo de bens e serviços.

A proposta prevê a criação de um fundo nacional para custear o sistema, substituindo o atual modelo do vale-transporte. De acordo com os cálculos apresentados, uma contribuição mensal de R$250 por trabalhador seria suficiente para financiar a gratuidade, sendo obrigatória apenas para empresas com mais de dez funcionários.

Para os autores do estudo, além de ampliar o acesso à mobilidade, a tarifa zero pode contribuir para reduzir desigualdades, fortalecer a economia local e facilitar o acesso da população a serviços como saúde, educação e oportunidades de emprego.

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