Economia & Mercado
Publicado em 21/08/2026, às 21h29 Divulgação/White House Davi Lemos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (21) que o país permitirá, durante 90 dias, a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina sem a cobrança da tarifa aplicada aos volumes que excedem as cotas existentes. A iniciativa, segundo o republicano, tem como objetivo aumentar a oferta e reduzir o preço da carne moída para os consumidores americanos.
Ao divulgar a medida na Truth Social, Trump afirmou ter fechado um acordo para “reduzir significativamente o preço da carne moída para as famílias trabalhadoras americanas”. O presidente atribuiu a alta do produto ao período de governo de Joe Biden e destacou que o rebanho bovino dos Estados Unidos chegou a níveis historicamente baixos.
“Enquanto trabalhamos para reconstruir esse rebanho bovino e ajudar nossos pecuaristas, pelos próximos 90 dias os EUA permitirão a importação de até 300 mil toneladas de carne moída sem impostos, fora da cota”, anunciou Trump. O presidente também afirmou que o compromisso é fazer com que o produto seja comercializado por um valor “25% menor do que os preços de mercado atuais”.
Trump, entretanto, não detalhou quais países poderão utilizar a nova cota nem apresentou os critérios para a distribuição das 300 mil toneladas. A medida ocorre em meio à política tarifária adotada pelos Estados Unidos e às sucessivas mudanças promovidas pelo governo americano nas regras aplicadas às importações.
A carne bovina ficou de fora de algumas das sobretaxas impostas recentemente pelo governo Trump, inclusive das medidas que atingiram produtos brasileiros. Isso, porém, não significa que toda a carne exportada pelo Brasil entre no mercado americano livre de tarifas, já que existe um sistema específico de cotas para o produto.
Atualmente, o Brasil participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), esse limite costuma ser atingido já nas primeiras semanas do ano. Depois de esgotada a cota, as vendas brasileiras podem continuar normalmente, mas ficam sujeitas a uma tarifa extracota de 26,4%.
À CNN, a Abiec informou que ainda não recebeu informações oficiais sobre a implementação do anúncio. “O que sabemos até agora é apenas o que vem sendo divulgado pela imprensa, sem detalhes sobre volumes, critérios ou países que poderão ser contemplados”, afirmou a entidade. A associação acrescentou que “uma eventual ampliação da cota tarifária pode beneficiar o Brasil”.
A Abiec ponderou, contudo, que ainda é necessário conhecer a regulamentação antes de determinar os efeitos para os frigoríficos brasileiros. “Qualquer ampliação que contemple o Brasil pode representar uma melhora nas condições de acesso da carne bovina brasileira ao mercado norte-americano”, declarou. “Neste momento, porém, é necessário aguardar os detalhes oficiais da medida.” Os Estados Unidos estão entre os maiores consumidores de carne bovina do mundo, e Brasil, Austrália, Canadá, México, Nova Zelândia e Uruguai figuram entre seus principais fornecedores.