Eleições
Publicado em 26/09/2018, às 19h53 Reprodução/SBT Folhapress
Ao questionar Marina sobre a revogação ou não da PEC do teto de gastos e a reforma trabalhista, Haddad ouviu que o Brasil está no "fundo do poço" em função da "corrupção de PT, MDB e PSDB". Segundo a candidata, o plano dela seria recuperar a credibilidade do país desgastada pelo PT com auxílio de Michel Temer (MDB), que tornou-se uma espécie de "batata quente" dos candidatos, um atribuindo proximidade com o presidente ao outro. "Quem botou o Temer lá foram vocês. O Temer traiu a Dilma e não conseguiria chegar lá sem a ajuda de vocês", disse Haddad, referindo-se ao apoio de Marina ao impeachment da ex-presidente."Não defendo terceirização de atividade-meio nem o teto feito pelo Temer. Engraçado você falar de impeachment depois de pedir bênção ao Renan Calheiros (MDB), que apoiou o impeachment. São dois pesos e duas medidas. O PT faz o discurso dos trabalhadores e leva o país ao buraco com o Temer", disse Marina, que foi congratulada por Ciro Gomes após a resposta.
Ciro participou do debate com uma sonda após ter passado por cirurgia de cauterização de áreas hemorrágicas na próstata nesta terça-feira (25). No bloco seguinte, em que os candidatos responderam a questões de jornalistas, foi a vez do pedetista trocar farpas com Haddad. Perguntado sobre a maneira que comporia seu governo se fosse eleito, Ciro disse que "se puder governar sem o PT, eu prefiro". Ele disse reconhecer os méritos das gestões passadas do PT, mas disse que o partido ajudou a criar uma "estrutura de poder odienta, que criou essa figura horrorosa que é o Bolsonaro". Ciro disse que sabe dialogar e pode acabar com a contradição entre PT e Bolsonaro "que está levando o país para a violência".
Pouco depois, Haddad referiu-se à fala de Ciro de maneira irônica ao dizer que fora convidado pelo concorrente para ser vice de sua chapa, que então teria chamado a dupla de "dream team". Álvaro Dias também escolheu a trilha do antipetismo como estratégia no debate. Chamando o partido de "organização criminosa", falou em "trilha de sangue" deixada por gestões petistas, referindo-se aos assassinatos de Celso Daniel e Toninho do PT, ex-prefeitos de Santo André e de Campinas, respectivamente. "Sempre fui contestador, sempre combati esse sistema corrupto, estou nessa campanha para impedir a volta de uma organização criminosa", disse.
Cobrado também por sua proximidade com Lula, Haddad seguiu estratégia desenhada pelo ex-presidente de enfatizar a geração de empregos em seus discursos. Além disso, o petista também tentou destacar números de sua passagem como ministro da Educação dos governos Lula e Dilma. "Vamos fazer o Brasil feliz de novo com estas duas palavras magicas: educação e emprego", resumiu Haddad na reta final de sua participação. Líder nas pesquisas de intenção de voto, o ausente Bolsonaro foi lembrado apenas pontualmente. Além da citação de Ciro, outra menção relevante foi feita por Boulos, que relembrou de episódio em que o capitão reformado do Exército defendeu o direito de empresários pagarem menos a mulheres do que a homens. Alckmin, que tenta subir nas pesquisas e ocupar o lugar do candidato do PSL, evitou citar o nome de Bolsonaro, chamando-o de “candidato da discriminação”.