Eleições
Publicado em 06/09/2018, às 19h18 Henrique Brinco
É preciso destacar que não deixa de ser irônico o parlamentar ser vítima do próprio discurso violento que tanto disseminou nos últimos anos através de falas inflamadas e frases de efeito. O defensor da tese de que "o cidadão armado é a primeira linha de defesa de um país" acabou sendo curiosamente atingido por um cidadão armado.
Agora, imaginemos: se facas estão sendo usadas por armas brancas por gente mentalmente doente, não é difícil vislumbrar o efeito devastador da liberação da venda de armas no varejo no Brasil - um país violento e com educação deficitária.
Bolsonaro é um dos principais símbolos dos que levantam a bandeira do "bandido bom é bandido morto". Segundo colocado nas pesquisas de intenção de votos, ele aglutina seguidores pregando ideias polêmicas de que criminoso não deve ser tratado como "um ser humano normal" e, por isso, se um policial "matar 10, 15 ou 20 com 10 ou 30 tiros cada um" deve ser condecorado e não processado.
Ainda segundo o deputado, se morrerem 40 mil bandidos por intervenção policial, "temos que passar para 80 mil". "Você não combate violência com amor, combate com porrada, pô", já declarou em outra ocasião. Bolsonaro também já declarou que "ter filho gay é falta de porrada", entre outras barbaridades.
Eu, Henrique Brinco, jornalista, como um legítimo democrata, sou contra qualquer tipo de radicalismo e torço pela recuperação total do candidato. As ideias controversas dele devem ser legitimamente derrotadas nas urnas e não no tapetão. Só assim o país será pacificado.
UM ADENDO: Vale lembrar que Bolsonaro é um dos políticos que mais batem no discurso vitimizador. Fiquemos atentos para ver como a repercussão do atentado será usada pelo PSL na campanha eleitoral dele.
*Henrique Brinco é repórter de política do Bocão News e do jornal Tribuna da Bahia, tendo passado pelos principais portais de notícias de Salvador.