Conhecida por papéis marcantes no teatro, na televisão e no cinema, a atriz Léa Garcia volta à Bahia após 10 anos para uma missão que ela considera mais que especial: fazer parte do elenco do segundo episódio da premiada série de animação “Òrun Àiyé”, que narra histórias da cultura iorubá.
Léa, que iniciou sua carreira artística no Teatro Experimental do Negro, de Abdias Nascimento, ficou nacionalmente conhecida por interpretar papéis em novelas que marcaram época na televisão brasileira, como “Selva de Pedra” e “Escrava Isaura”. Agora, ela empresta a voz para uma das personagens principais do curta-metragem “Òrun Àiyé: As Águas de Oxalá”, dirigido pelas baianas Jamile Coelho e Cintia Maria.
“Esse filme é muito importante por trazermos uma temática que envolve não só a religião de matriz africana como também a literatura africana, resgatando a nossa ancestralidade ao falar dos nossos deuses”, conta Léa. Para ela, que costuma levar para o palco reflexões sobre o papel do negro na sociedade, a animação tem grande relevância para a cultura afro-brasileira e para a cultura do país de modo geral. “Foi um compromisso tão importante, que eu tremi nas bases”, relata.
O filme está na reta final da campanha de financiamento coletivo pelo Catarse (https://www.catarse.me/orunaiye) e tem meta inicial de R$ 50 mil, com prazo para apoio até 3 de janeiro de 2017 e contribuições a partir de R$ 10. Todo o valor arrecadado será utilizado na produção do curta, que conta a história de Luna, uma curiosa garotinha negra de oito anos que enfrenta dificuldades para encontrar livros sobre a mitologia africana, tema escolhido por ela para apresentar um trabalho na escola.
Os interessados podem colaborar com valores que vão de R$ 10 a R$ 5 mil e dão direito a diferentes recompensas, com entrega estimada para março de 2017. Nas recompensas a partir de R$ 51, é possível adquirir o DVD de “Òrun Àyié: a Criação do Mundo”, com o valor do frete incluso para todo o Brasil. Há também opções de receber convites para a pré-estreia em Salvador, posters, caderninhos e camisetas personalizadas do filme.
“A nossa primeira meta é de R$ 50 mil e, com esse valor, vamos conseguir desenvolver o projeto com duração de cinco minutos”, explica Cintia. Atingindo a segunda meta, no valor de R$ 80 mil, será possível produzir os 17 minutos da animação. “Se conseguirmos atingir a terceira meta, que é de R$ 120 mil, nós vamos conseguir fazer uma coisa muito importante, que é desenvolver os 17 minutos do projeto e fazer o lançamento do filme em 12 terreiros de candomblé de 12 estados diferentes do Brasil”, completa a diretora.
Com o sucesso do primeiro episódio da série, que estreou no dia 15 de janeiro com cinco sessões lotadas, as expectativas para dar continuidade ao trabalho são as melhores. “Nós ficamos muito felizes com o resultado e a recepção do público no primeiro episódio e esperamos atingir nossa meta para continuar esse trabalho, que fazemos com muita dedicação e respeito”, conta a diretora Jamile.
O primeiro episódio de “Òrun Àiyé” já foi selecionado em 12 festivais em diversos países e ganhou os prêmios de Melhor Animação no Festival de Cinema Largo Film Awards, em Genebra, na Suíça, e Melhor Animação da Diáspora no Silicon Valley African Film Festival, no Vale do Silício, Estados Unidos.
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