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A crise que ninguém reclama: musical

Publicado em 15/09/2015, às 07h45      Alessandro Isabel*

Procura-se músicos. Procura-se compositores. Procura-se interpretes. Procura-se cantores. Além da crise econômica e política, o Brasil enfrenta outra crise: a musical. Que me perdoe Lucas e Orelha, baianos vencedores do SuperStar, mas queria descobrir onde mora o Tim Maia, a Cássia Eller, o Renato Russo e a Elis Regina do século XXI? 
O estado da Bahia, considerado um grande celeiro de revelações da musica brasileira, observa de maneira melancólica a fonte secar. No período frutífero colhemos Caetano e Gil, Margareth e Ivete. Nos orgulhamos de revelar Gal Costa, Maria Bethânia, Daniela Mercury e o Cacique Brown. Uma infinidade de artistas surgindo ano após ano. Harmônica do Samba, Olodum e Psirico. Cada um com seu estilo e público. Sucessos em rádios e TVs por todo o Brasil, alguns alcançaram o mundo. Eis que chegamos em 2015. A safra não é a mesma, o público também não. A palavra crise nunca foi tão pertinente para o período. 
As músicas não são as mesmas. Não se compõe como antes: na mesma velocidade, na mesma intensidade. Pablo e Igor Kannário se esforçam, mas não dão conta. Os grandes cantores, compositores e interpretes da Bahia e do Brasil cruzaram os braços, estão em greve por tempo indeterminado, um movimento que tem afundado uma geração carregada pelo funk e seus MC's, pagode, “sofrência” e sertanejo, ritmos que tem o espaço merecido, mas que não conseguem preencher a lacuna intelectual.
A 22ª edição do Prêmio Multishow de música revelou o que todos já sabiam. Ivete Sangalo, como sempre, escolhida a melhor cantora. Se não fosse Ivete seria Ana Carolina ou a baiana Pitty. O melhor cantor ficou, pasmem, com o sertanejo Lucas Lucco. Poderia ser o seu concorrente Gustavo Lima. O melhor grupo foi Turma do Pagode, mas quase que fica com a Banda Calypso e seu Chimbinha. Para não ser radical, fiquei gratamente surpreso com o “Cidadão Instigado” que ganhou o prêmio de melhor álbum. Cidadão Instigado? Eu fique instigado.
Sem saudosismo, descriminação, preconceito e aberto para o novo. Assim devemos ser. Lembrando que a boa a velha música pode ser resgatada e sempre será bem vinda. Independente de idade, classe social e opção sexual, o que é bom permanecerá sendo bom. Esperamos colher, quem sabe em breve, novas revelações, pois a situação está difícil.
*Alessandro Isabel é jornalista e comunicólogo baiano, e atua na Rádio Sociedade e na Record Bahia

Classificação Indicativa: Livre


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