Entretenimento
Publicado em 01/07/2024, às 21h24 Paulo M. Azevêdo/BNews Andreza Oliveira e Melissa Lima
Uma das atrações do penúltimo dia de shows do São João da Bahia no Parque de Exposições, o cantor Léo Estakazero abriu o jogo sobre a perda de espaço do forró nas festas juninas. Em resposta ao BNews, ele começou dizendo que entende de onde surge o apelo por outros gêneros musicais nos festejos.
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"Eu acho que sempre existiu. O São João, por ser uma festa, acima de tudo, popular, uma festa que envolve um estado como a Bahia, que é um estado muito plural, culturalmente falando, você tem uma produção muito grande de pagode, de arrocha, de reggae, e o público, enfim, gosta. O público clama. A gente não pode colocar uma culpa, não podemos dizer que 'Beltrano Ou Ciclano' está fazendo errado, porque isso é um clamor do povo, mas infelizmente é assim, é natural", disse.
Ele ainda opinou sobre a responsabilidade do poder público em modificar esse quadro e trazer mais destaque para as bandas de forró, citando que ainda existem cidades que valorizam a tradição.
"Cabe ao Poder Público, às pessoas que organizam, dosar se o São João vai servir para ensinar o povo, mostrar a tradição da cultura nordestina, ou se ele vai ser uma festa mais de entretenimento por si só. Tem cidades que valorizam mais a tradição, desde a sua ornamentação, a campanha, e privilegiam artistas do forró", opinou Léo.
Por fim, o cantor associou os forrozeiros à onças pintadas, animais que estão em extinção. Para ele, isso deve a pouca quantidade de artistas novos se formando no gênero.
"Me sinto assim, às vezes, uma onça pintada. O forrozeiro é meio que uma espécie de extinção, porque hoje quem começa a carreira artística, as produtoras, os artistas, os jovens que se lançam hoje, pouquíssimos vão para o forró. A maioria faz arrocha, sertanejo, funk, a música romântica. O forró tradicional é cada vez mais difícil ter artistas começando, normalmente são sanfoneiros, são pessoas muito envolvidas com a cultura do Nordeste", concluiu.