Entretenimento
Publicado em 14/10/2026, às 09h10 Reprodução / Redes Sociais Tiago Di Araújo
Um dos maiores sucessos da carreira de Netinho quase não recebeu o destaque que acabaria conquistando. Após a morte do cantor baiano, aos 60 anos, voltou a repercutir uma revelação do compositor Manno Góes sobre os bastidores de “Milla”. Segundo ele, a música não era a grande aposta da gravadora, e foi o próprio artista quem insistiu para que ela ganhasse espaço.
Em entrevista ao podcast Papo com Clê, em fevereiro de 2024, Manno relembrou que a reação do público durante a gravação do álbum ao vivo de Netinho, em Aracaju, já indicava a força da canção. Mesmo assim, ela não foi escolhida inicialmente como música de trabalho.
“Nem o disco, nem a gravadora apostariam muito nessa música. Não era música de trabalho”, contou o compositor, ao recordar o lançamento do projeto.
A história mudou porque Netinho acreditava no potencial da faixa e decidiu defender sua escolha.
“Então foi ele que comprou briga para ‘Milla’ ser de trabalho, depois da primeira música de trabalho do disco ao vivo dele”, afirmou Manno.
Segundo o compositor, a gravação de “Milla” durante o show em Aracaju provocou uma reação intensa do público. A canção teria sido um dos momentos mais marcantes da apresentação, embora ainda não fosse tratada como a principal aposta comercial do álbum.
No material de divulgação do disco Netinho Ao Vivo, lançado em 1996, a faixa aparecia entre outras músicas, sem o destaque que viria a conquistar posteriormente.
Manno resumiu a surpresa com a recepção da canção: “Ele gravou ‘Milla’ no show de Aracaju e foi uma catástrofe assim, foi a música mais forte do show”.
A insistência de Netinho em defender a música acabou sendo decisiva para que ela recebesse o espaço que o cantor acreditava que merecia. Com o tempo, “Milla” se consolidou como um dos grandes hits do axé music e ficou associada à trajetória do artista.
Além de revelar os bastidores da gravação, Manno Góes contou que “Milla” nasceu de uma história real. A inspiração veio de um breve romance vivido por ele na juventude, durante um verão em Mar Grande, na Ilha de Itaparica, na Bahia.
O compositor relatou que se apaixonou por Milla por volta de 1985 ou 1986, quando começava a tocar violão. O relacionamento, porém, não avançou porque ela se mudou para Recife.
Anos depois, os dois voltaram a se encontrar quando Milla passou a morar no mesmo prédio que Manno. Foi nesse reencontro que, segundo ele, surgiu a composição.
“Verdade e amor, sentimento, porque eu gostava muito de Milla”, explicou o músico no podcast, ao tentar definir o que tornou a canção tão especial.
Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, em 2015, Manno também confirmou que a personagem da música existiu de verdade e falou sobre o romance que inspirou a letra. “Milla existiu realmente. Foi um amor de verão que aconteceu em Mar Grande, como a música retrata”, declarou na ocasião.
Composta por Manno Góes em parceria com Tuca Fernandes, “Milla” ganhou projeção nacional na interpretação de Netinho e se tornou presença marcante no repertório do cantor.
A faixa foi lançada no álbum Netinho Ao Vivo, gravado em Aracaju, em 1996, e atravessou gerações como um dos símbolos da música baiana dos anos 1990.
A morte de Netinho, aos 60 anos, voltou a colocar a canção em evidência e trouxe novamente à tona a história de amor que inspirou sua criação e a insistência do cantor para que ela se tornasse um dos grandes sucessos de sua carreira.