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Vorcaro orientava vídeos de apresentadora famosa vendidos como opinião espontânea

Contratos e sugestões de roteiro entre Vorcaro e Prioli expõem estratégia de comunicação do Banco Master em meio a críticas  |  Reprodução/Redes sociais

Publicado em 17/10/2026, às 07h05   Reprodução/Redes sociais   Analu Teixeira

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelaram bastidores da produção de vídeos publicados pela advogada e influenciadora Gabriela Prioli sobre a instituição financeira. Segundo reportagem do Estadão, os conteúdos eram submetidos à avaliação do banqueiro e de sua equipe de comunicação, embora tenham sido apresentados por ela como manifestações de opinião pessoal.

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De acordo com os diálogos divulgados pelo jornal, Prioli firmou um contrato de 12 meses com o banco. As conversas também apontam que a influenciadora recebia sugestões de roteiro e alterações solicitadas por Vorcaro, inclusive em conteúdos relacionados à imagem da instituição e às críticas feitas por jornalistas.

As mensagens envolvem ainda Ana Matos, que ocupava o cargo de superintendente de Comunicação e Marketing do Master entre 2023 e o fim de 2025. Em uma conversa de abril de 2025, ela informou ao banqueiro que o contrato com Prioli estava assinado e mencionou uma estratégia paralela que envolveria cerca de 15 influenciadores de grande alcance nas redes sociais.

Segundo o relato publicado pelo Estadão, a iniciativa buscava defender os negócios do banco e reagir às críticas da imprensa em meio a questionamentos sobre as operações da instituição.

Vorcaro sugeria mudanças nos roteiros

As conversas mostram que Vorcaro acompanhava a produção dos conteúdos e fazia sugestões diretamente à equipe de comunicação. Em abril de 2025, após demonstrar interesse em uma publicação de Prioli sobre a experiência de se sentir excluído ao frequentar a alta sociedade paulistana, o banqueiro sugeriu que o texto mencionasse sua própria situação e os ataques que considerava sofrer.

Em outra mensagem, Ana Matos relatou que o roteiro de uma publicação estava sendo finalizado com a influenciadora. O diálogo também registrou a informação de que o contrato tinha duração prevista de 12 meses.

Ainda naquele mês, Vorcaro sugeriu a produção de um vídeo sobre os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Master. Em um dos conteúdos que circularam nas redes sociais, Prioli afirmou que esse tipo de investimento contava com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), observadas as regras e os limites estabelecidos pelo mecanismo.

A troca de mensagens também aponta orientações para que os conteúdos respondessem às críticas direcionadas ao banco. Em maio de 2025, por exemplo, Vorcaro escreveu que a estratégia deveria mirar jornalistas, e não o BTG, conforme o trecho reproduzido pelo Estadão.

Outro episódio ocorreu em julho de 2025, quando Ana Matos encaminhou a Vorcaro um vídeo gravado por Prioli antes da publicação. O banqueiro não teria aprovado a versão inicial e pediu mudanças.

Dois dias depois, a funcionária informou que a influenciadora havia incorporado as solicitações e perguntou se o material poderia ser divulgado. Ela também destacou que Prioli tinha mais de seis milhões de seguidores e que a equipe precisava de apoio na disputa pública em torno do banco.

Vorcaro, porém, sugeriu adiar a publicação por causa da repercussão de outro assunto naquele momento. As conversas indicam que a divulgação do conteúdo continuou sendo coordenada entre o banqueiro e sua equipe de comunicação.

Gabriela Prioli já havia negado contratação

Em janeiro de 2026, Prioli publicou um vídeo nas redes sociais no qual negou ter sido contratada pelo Banco Master para defender a instituição. Ela também afirmou que não integrou a rede de influenciadores que, segundo as acusações, teria sido mobilizada por Vorcaro para atacar o Banco Central durante a análise da operação envolvendo o Master e o Banco de Brasília (BRB).

Procurada pelo Estadão para comentar as mensagens, a influenciadora não havia se manifestado até a publicação da reportagem. Ana Matos também foi procurada, mas não respondeu.

Gabriela Prioli contesta mensagens e nega contrato

Em nota oficial, Gabriela Prioli negou ter recebido dinheiro de Daniel Vorcaro para publicar vídeos em defesa do banqueiro ou do Banco Master. A apresentadora afirmou que nunca foi procurada por ele e que não manteve qualquer relação comercial com o empresário ou com empresas ligadas à instituição financeira.

“Daniel Vorcaro nunca editou, aprovou ou orientou qualquer conteúdo produzido por Gabriela Prioli”, diz o comunicado.

A equipe da influenciadora também questionou a ausência de documentos que, segundo ela, comprovem as alegações. A nota ressaltou que as mensagens divulgadas são conversas entre Vorcaro e uma executiva do banco, nas quais o nome de Prioli é mencionado, e não diálogos diretos com a apresentadora.

“Onde estão as provas de todas as informações citadas? Onde está o suposto contrato? Onde estão os comprovantes dos supostos pagamentos?”, questionou a equipe, acrescentando que todo o faturamento da apresentadora é documentado por notas fiscais e que nenhuma delas foi emitida para o Banco Master ou empresas ligadas a Vorcaro.

O comunicado também afirmou que medidas cabíveis estão sendo tomadas diante da divulgação das informações. “Conversas sobre Gabriela Prioli não são conversas realizadas com Gabriela Prioli. Suposições sem provas não são verdades. São apenas suposições”, concluiu a nota.

Classificação Indicativa: Livre


TagsAna matosBanco MasterDaniel Vorcarogabriela priolirepercussão