Entretenimento

Em entrevista bombástica, Paula Fernandes detona machismo no sertanejo, expõe bastidores e revela que quase tirou a própria vida

A cantora escancarou o machismo estrutural da indústria sertaneja, detonou o uso de IA e relembrou o momento mais dramático de sua vida  |  Reprodução / Redes Sociais

Publicado em 27/08/2026, às 09h21   Reprodução / Redes Sociais   Tiago Di Araújo

Paula Fernandes deu uma entrevista bombástica à BBC News Brasil ao falar sobre o retorno à Festa do Peão de Barretos depois de uma década afastada do evento. Aos 41 anos — e prestes a completar 42 no palco do evento nesta sexta-feira (28) —, a artista abriu o jogo sobre a podridão dos bastidores da música sertaneja, desabafou sobre a rotina exaustiva do passado e relembrou o dia em que quase tirou a própria vida durante a juventude.

Reconhecida como uma das precursoras do espaço feminino no gênero, a mineira escancarou a rejeição e o machismo que enfrentou ao estourar em 2011, quando chegou a realizar 220 shows em um único ano.

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

"Não consigo descrever o olhar de espanto de quando eu chegava. 'Por que ela pediu um banheiro no camarim? Por que pediu um espelho?'. Era tudo moldado para homens, que chegam de botina, trocam de roupa em qualquer lugar, colocam uma camisa xadrez, fazem xixi em qualquer lugar", disparou a cantora, ressaltando que pedir um palco sem buracos para usar salto "são necessidades femininas, não luxo".

Fofocas de bastidores, boato de "passar o rodo" e rótulo de chata

Durante o auge do sucesso, a cantora foi alvo constante de ataques da imprensa e de colegas do meio, sendo taxada de "antipática" e "chata". Paula revelou que a indústria tentava a todo custo inventar escândalos sexuais para justificar o seu talento e o alcance de suas vendas.

"Me deram cinco namorados em uma semana. Aí a frase era: 'boazinha, mas passa o rodo, né?'. E eu solteira, super quietinha. Sempre tive a conduta de ser muito correta e ir de casa para o trabalho, do trabalho para casa. No meio eu não namorei praticamente ninguém, então de certa forma isso incomobava um pouco", relembrou.

Drama na juventude e a salvação pela mãe

Apesar de ter conquistado o topo da música nacional com milhões de discos vendidos, o passado da sertaneja foi marcado pela miséria extrema e por um quadro severo de depressão aos 18 anos. Paula desmentiu os boatos da internet que questionam sua infância humilde no interior de Minas Gerais, reafirmando ter sido "paupérrima" e criada em uma casa sem luz elétrica ou sanitário.

O momento mais dramático do relato ocorreu ao abordar o apoio incondicional de sua mãe, Dona Dulce, quando pensou em desistir de viver antes do sucesso.

"Se não fosse por ela, eu tinha pulado aquela janela. Com 18 anos, eu escolhi uma janela para pular, e minha mãe falou 'se você pular, eu vou pular antes'. Minha mãe me salvou milhões de vezes", emociona-se a artista.

Paula Fernandes
Paula Fernandes
Paula Fernandes
Paula Fernandes
Paula Fernandes
Paula Fernandes
Paula Fernandes

Guerra contra a Inteligência Artificial e posicionamento político

Questionada sobre as transformações tecnológicas na indústria fonográfica, Paula Fernandes detonou o uso de Inteligência Artificial (IA) para a composição de músicas e arranjos, classificando a prática como um "crime" contra a arte.

"Me nego. Como criadora, é inadmissível usar uma vírgula do Chat. É um crime contra minha natureza... A IA não tem profundidade. Para emocionar, tem que ser humano, vulnerável, profundo", cravou.

A cantora também se posicionou sobre a cobrança por declarações políticas no meio sertanejo, reafirmando sua postura apartidária. "Eu sou uma representante da poesia, da arte, e a arte é universal... Eu não me sinto apta a fazer isso. Na hora do meu voto, ele é meu voto, eu tenho direito a ter meu voto e ser algo íntimo meu", finalizou.

Classificação Indicativa: Livre


Tagscantorasertanejopaula fernandesbastidoresfesta do peão de barretos