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Empresa abre 30 vagas e se surpreende com fila gigante de candidatos por 10 quarteirões

Candidatos se aglomeram em busca de 30 vagas em Buenos Aires, refletindo a crise do emprego na Argentina  |  Reprodução/Vídeo

Publicado em 14/10/2026, às 21h04   Reprodução/Vídeo   Analu Teixeira

Uma empresa abriu apenas 30 vagas de emprego e se surpreendeu ao encontrar uma fila de candidatos que se estendeu por cerca de 10 quarteirões. A cena ocorreu na última segunda-feira (12), na região metropolitana de Buenos Aires, na Argentina, e reuniu centenas de pessoas em busca de uma oportunidade no mercado de trabalho.

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As vagas eram destinadas a estoquistas, trabalhadores de armazém e profissionais da área administrativa. Segundo a imprensa local, a fila formada na cidade de Moreno era composta majoritariamente por jovens entre 18 e 22 anos, muitos deles à procura do primeiro emprego formal ou de uma renda complementar.

A procura foi tão grande que alguns candidatos chegaram ao local ainda na noite anterior. Um representante do grupo Citystore, responsável pela loja, afirmou que a empresa não esperava uma mobilização daquela proporção.

“Realmente não esperávamos uma resposta tão grande, apesar de estarmos cientes de que nesta região e com a situação atual, o trabalho está um pouco difícil”, declarou o representante.

A situação também chamou a atenção pelo relato de pessoas que enfrentavam a espera na fila. Em entrevista à emissora argentina C5N, um dos candidatos descreveu as dificuldades para manter as contas em dia, mesmo acumulando experiência em diferentes funções.

“Sou estoquista, opero o caixa, o computador, atendo clientes, trabalho em um depósito. Não conseguimos fechar as contas. E a verdade é que é muito triste ver tudo isso porque você vê a necessidade das pessoas e dói muito”, afirmou.

Argentina registra fechamento de empresas e perda de empregos

A grande procura por vagas ocorre em um cenário de retração do mercado de trabalho argentino. Um levantamento divulgado em setembro pelo Monitor Mensal de Empresas, da Fundar, centro de pesquisas do país, apontou que a Argentina perdeu 31,3 mil empresas entre novembro de 2023, quando o presidente Javier Milei assumiu o governo, e junho de 2026.

O número representa uma redução de 6,1% no total de companhias registradas no país. No mesmo período, aproximadamente 245 mil postos formais de trabalho foram encerrados.

De acordo com o levantamento, dos 18 setores econômicos analisados, 14 registraram queda no número de empresas. Os efeitos foram observados em 23 das 24 províncias argentinas.

Os dados ajudam a contextualizar a disputa por oportunidades de trabalho no país, embora não permitam atribuir diretamente a formação da fila a um único fator econômico.

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