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Escândalo dos cachês! Levantamento expõe R$ 5 bilhões da verba pública para shows; Léo Santana e Pablo estão entre os mais pagos

Levantamento do observatório De Olho nos Ruralistas, divulgado pelo The Intercept Brasil, revela que prefeituras de direita lideram as contratações milionárias de shows no país  |  Divulgação / Alef Fera

Publicado em 01/09/2026, às 10h22   Divulgação / Alef Fera   Tiago Di Araújo

Um levantamento inédito do observatório De Olho nos Ruralistas, divulgado pelo The Intercept Brasil, revelou um raio-X impressionante sobre o uso de dinheiro público para o financiamento de eventos artísticos no Brasil. 

Entre janeiro de 2024 e 31 de março de 2026, mais de R$ 5 bilhões saíram diretamente dos cofres públicos para pagar apresentações de 100 artistas e bandas. Cada um dos integrantes desse grupo seleto faturou, no mínimo, R$ 25 milhões em verbas municipais e estaduais.

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No topo da lista geral dos mais pagos figuram nomes de peso do cenário do arrocha e do forró, como Natanzinho Lima (R$ 158,2 milhões), Henry Freitas (R$ 125,9 milhões) e Wesley Safadão (R$ 113,1 milhões). 

A Bahia também marca presença forte no pelotão de frente. Léo Santana garantiu a 8ª posição com R$ 101,6 milhões faturados em contratos públicos, enquanto o Pablo, aparece logo em seguida, na 9ª colocação, acumulando R$ 99,4 milhões no período.

Confira os 10 artistas que mais receberam verba pública (2024–2026):

  1. Natanzinho Lima: R$ 158,2 milhões
  2. Henry Freitas: R$ 125,9 milhões
  3. Wesley Safadão: R$ 113,1 milhões
  4. Tarcísio do Acordeon: R$ 111,5 milhões
  5. Iguinho e Lulinha: R$ 111,1 milhões
  6. Seu Desejo: R$ 102,8 milhões
  7. Maiara e Maraisa: R$ 101,8 milhões
  8. Léo Santana: R$ 101,6 milhões
  9. Pablo: R$ 99,4 milhões
  10. Xand Avião: R$ 98,3 milhões

Natanzinho Lima
Henry Freitas
Wesley Safadão
Tarcísio do Acordeon
Iguinho e Lulinha
Seu Desejo
Maiara e Maraisa
Leo Santana
Pablo
Xand Avião
Zezé Di Camargo
Ana Castela
Gusttavo Lima

Dominância política e forte ligação com o agronegócio

O estudo aponta um padrão claro na origem dessas verbas. Em 2025, as prefeituras geridas por partidos classificados pelo relatório como de direita concentraram 77% das contratações analisadas dentro do "Top 40". As siglas PSD, União Brasil e PP lideram a lista das gestões que mais fecharam contratos milionários com os artistas.

Mais de R$ 5 bilhões dos cofres públicos foram destinados a shows de 100 artistas e bandas entre janeiro de 2024 e 31 de março de 2026.

Um levantamento do observatório De Olho nos Ruralistas mostra quem mais recebeu, quais governos mais contrataram e como sertanejo, agronegócio… pic.twitter.com/H38i7s4VvP

— Intercept Brasil (@TheInterceptBr) September 1, 2026

Embora o sertanejo não lidere o ranking geral de faturamento absoluto, a presença do gênero é esmagadora quando o recorte foca em feiras agropecuárias, rodeios, vaquejadas e cavalgadas. Zezé Di Camargo lidera os ganhos no setor do agronegócio, com R$ 33,56 milhões recebidos de cofres públicos, seguido por Maiara & Maraisa (R$ 32,75 milhões) e Ana Castela (R$ 28,13 milhões).

O relatório também destaca episódios emblemáticos da relação entre música, verba pública e política. O cantor Gusttavo Lima, por exemplo, realizou 22 shows bancados por verbas públicas entre janeiro de 2024 e março de 2026 — sendo 21 contratados por governos de direita. O sertanejo registrou o maior cachê médio por apresentação entre todos os analisados: R$ 1,17 milhão.

Cachês diretos versus Lei Rouanet

Os números escancaram um contraste com o debate sobre incentivo à cultura no país. Apenas os 40 artistas mais bem pagos da lista somaram R$ 3,08 bilhões em contratos públicos diretos no período analisado. O valor é quase equivalente a todos os R$ 3,41 bilhões captados via Lei Rouanet no ano de 2025 inteiro.

A diferença crucial apontada pela reportagem do The Intercept Brasil é que, enquanto a Rouanet utiliza isenção fiscal de empresas e pessoas físicas para pulverizar projetos, o montante dos shows sertanejos e de arrocha sai direto do orçamento das prefeituras para o bolso dos grandes escritórios artísticos.

Classificação Indicativa: Livre


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