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Publicado em 05/11/2026, às 11h06 - Atualizado às 11h06 Reprodução / Redes Sociais Tiago Di Araújo
O cancelamento de apresentações de Jorge & Mateus nos Réveillons de duas capitais nordestinas pode custar caro à dupla sertaneja. Após serem retirados das programações de Fortaleza e Recife, os cantores podem deixar de faturar até R$ 2 milhões com os contratos desfeitos. Os valores não foram divulgados oficialmente, mas cachês de apresentações anteriores ajudam a dimensionar o impacto financeiro da polêmica.
A crise começou após a repercussão de um vídeo em que Jorge ironiza o Partido dos Trabalhadores (PT). A gravação provocou reações e acabou respingando na agenda de fim de ano da dupla, que foi desconvidada pelas prefeituras das duas cidades.
Embora os contratos dos shows cancelados não tenham os valores conhecidos, apresentações recentes mostram que Jorge & Mateus costumam cobrar cifras milionárias. No Festival Virada Salvador, em 31 de dezembro de 2025, por exemplo, os sertanejos receberam R$ 1 milhão, conforme registro publicado no Diário Oficial do município.
O valor não está distante de outros cachês da dupla. No São João de Petrolina, em 2025, os artistas receberam R$ 900 mil. No ano anterior, a apresentação havia custado R$ 800 mil aos cofres públicos. Já no São João de Santo Antônio de Jesus, também em 2025, o cachê solicitado foi de R$ 900 mil.
Uma contratação ainda mais cara aconteceu em São Luís, durante o Carnaval. Em fevereiro, a dupla recebeu R$ 1,5 milhão para subir ao palco do principal evento carnavalesco da capital maranhense. Na mesma programação, Michele Andrade recebeu R$ 420 mil, enquanto o grupo Benzadeus foi contratado por R$ 150 mil.
A repercussão envolvendo Jorge ganhou força depois que o cantor participou de um encontro de artistas sertanejos com Flávio Bolsonaro (PL) durante a corrida presidencial. Mateus, por sua vez, não se posicionou politicamente em 2026. Nas redes sociais, fãs também resgataram um print atribuído ao artista que mostraria a publicação da identidade visual do movimento Ele Não, contrário à eleição de Jair Bolsonaro, em 2018.
Diante das acusações e da repercussão negativa, Jorge publicou um comunicado nas redes sociais. O cantor negou ter feito declarações xenofóbicas e destacou sua relação com o Nordeste.
"Tenho uma gratidão imensa pelo povo nordestino, por sua cultura, sua história e por tudo que essa região representa para a música brasileira e para a minha própria caminhada. Respeito as diferentes opiniões e acredito que, acima de qualquer divergência, devem prevalecer o diálogo, a empatia e o respeito", declarou.
Em Fortaleza, o prefeito Evandro Leitão (PT) explicou que os cachês seriam pagos integralmente por patrocinadores e que os acordos já estavam firmados antes da controvérsia. Mesmo assim, a gestão decidiu cancelar a participação dos sertanejos.
"Diante das questões posteriores que geraram polêmica, tirando o foco do nosso real objetivo, que é fazer uma das maiores e mais animadas festas populares do país, foi acordado o cancelamento do contrato da participação da dupla", afirmou.
No Recife, o prefeito Victor Marques (PCdoB) também justificou a decisão. Segundo ele, a festa deveria preservar um ambiente de união e harmonia, mas a repercussão envolvendo os artistas mudou o cenário.
"[É] Uma festa que deve reunir as pessoas em um ambiente de alegria, respeito e harmonia. Diante das circunstâncias, entendemos que não há mais clima para manter a dupla Jorge & Mateus na programação do Réveillon do Recife", declarou.