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Ex-TV Bahia relata racismo e desabafa: "Não haverá recuo"

Ex-TV Bahia compartilha relato impactante sobre racismo após mudança para outra região do Brasil  |  Foto: Reprodução / redes sociais

Publicado em 14/09/2026, às 21h59 - Atualizado às 22h00   Foto: Reprodução / redes sociais   Natane Ramos

Nesta segunda-feira (14), a jornalista Beatriz Oliveira, repórter da Globo Minas e natural da Bahia, realizou um desabafo nas redes sociais relatando ter sido vítima de racismo após se mudar para outra região do país.

Em um relato publicado nas redes sociais, a repórter declarou que o episódio ocorreu apenas um mês após ela chegar ao seu novo local de moradia. Beatriz ainda declarou que não havia vivenciado uma situação semelhante na Bahia. "Na Bahia, o racismo nunca me alcançou. Em outra região do país, ele se materializou na minha frente com apenas um mês de moradia", escreveu.

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A jornalista afirmou que o episódio a fez refletir sobre a experiência de mulheres negras de pele clara. "Tenho passabilidades. Mas nunca tive privilégio", afirmou Beatriz Oliveira.

Foto: Jornalista Beatriz Oliveira | Reprodução / redes sociais
Foto: Jornalista Beatriz Oliveira | Reprodução / redes sociais
Foto: Jornalista Beatriz Oliveira | Reprodução / redes sociais
Foto: Jornalista Beatriz Oliveira | Reprodução / redes sociais

A comunicadora chegou a pensar em deixar a região em que vivia após o episódio de racismo, mas desistiu ao lembrar a trajetória de sua família. Ela citou os pais e os avós como seus principais motivadores. 

"Recuar não seria apenas mudar de endereço. Seria permitir que a violência de alguém atravessasse uma história que levou gerações para ser construída", refletiu.

Ao finalizar o desabafo, a jornalista declarou que decidiu permanecer e continuar a lutar pelo seu espaço, apesar do preconceito sofrido. "Não haverá recuo", concluiu.

Confira “carta aberta” na íntegra:

“Na Bahia, o racismo nunca me alcançou. Em outra região do país, ele se materializou na minha frente com apenas um mês de moradia. Um soco no estômago. Uma ruptura. A lembrança brutal de que, para nós, há lugares onde a cor da pele chega antes da nossa história, da nossa formação, da humanidade. Não precisei de muito para entender o que estava acontecendo. Reagi. Firme. Mas, quando fechei a porta do apartamento que escolhi para morar, desabei. Naquele momento, vivi aquilo que tantas vezes li, ouvi e pensei sobre ser uma mulher negra de pele clara. Tenho passabilidades. Mas nunca tive privilégio. E talvez seja justamente essa uma das armadilhas mais perversas do racismo: fazer com que a gente, por vezes, questione se tem o direito de chamar de violência aquilo que nos feriu. Pensei em recuar. Escolher outra região da cidade para morar. Até que olhei para trás. Lembrei da minha mãe, que limpou tantos chãos para que eu pudesse chegar até aqui. Lembrei do meu pai, que tantas vezes empunhou enxadas para abrir caminhos que não estavam prontos para nós. Lembrei dos meus avós, que não puderam viver sonhos porque precisavam sobreviver. Então compreendi: recuar não seria apenas mudar de endereço. Seria permitir que a violência de alguém atravessasse uma história que levou gerações para ser construída. Um anjo que a vida colocou no meu caminho me disse: “Não haverá recuo.” E o eco ressoa: não haverá!”

Classificação Indicativa: Livre


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