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Publicado em 01/01/2026, às 08h34 Reprodução/Redes sociais Redação BNews
Um escândalo de corrupção na cidade de Turilândia, interior do Maranhão, levou a Justiça a suspender um show do cantor Zé Vaqueiro e de outros três artistas em comemoração ao aniversário de 31 anos da cidade. Caso se apresentasse na última segunda-feira (29), o cantor de piseiro receberia R$ 600 mil de cachê.
De acordo com a investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão (MP-MA), a Prefeitura e a Câmara Municipal de Turilândia teriam desviado recursos públicos no valor de R$ 56 milhões, principalmente das áreas da Saúde e da Assistência Social.
As apurações indicam que o prefeito Paulo Curió (União Brasil) lidera um esquema de corrupção por meio de empresas criadas de formas fictícia, envolvendo a vice-prefeita, ex-vice-prefeita, empresários, servidores, vereadores e um ex-vereador do município.
Há indícios de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro. As irregularidades teriam ocorrido entre 2021 e 2025.
Cancelamento
Além de Zé Vaqueiro, a cidade de Turilândia contaria com apresentações da cantora gospel Isadora Pompeo, da Aparelhagem Carabão e da dupla Silvânia Aquino e Berg Rabelo, ex-vocalistas da banda Calcinha Preta. Com a decisão, a Justiça proibiu qualquer pagamento ou transferência financeira aos artistas.
O Ministério Público questionou o uso de recursos públicos em festas de grande porte diante das carências de políticas sociais no município, além de apontar as investigações em andamento sobre supostas fraudes.
"O Município de Turilândia possui um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo (0,536), indicando a necessidade de priorizar investimentos em saúde, educação, infraestrutura e políticas sociais. O gasto de R$ 600 mil na contratação de um único artista [Zé Vaqueiro] é desproporcional à escassez de recursos públicos locais", disse a promotora Rita de Cássia Pereira Souza.
Embora o preço que deveria ser pago a Zé Vaqueiro fosse compatível com o mercado, não houve detalhamento dos custos de infraestrutura e logística, exigido pela Lei de Licitações (Lei 14.133/2021). Para os demais artistas, sequer foram encontrados registros dos contratos no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP).
A Polícia Militar foi acionada para garantir que os shows não fossem realizados. Em caso de descumprimento, a decisão prevê multa diária de R$ 100 mil, aplicada pessoalmente ao prefeito e ao secretário de Cultura e Turismo.
Zé Vaqueiro, Isadora Pompeo, Aparelhagem Carabão e a dupla Silvânia Aquino e Berg Rabelo também foram informados que deveriam devolver o dinheiro aos cofres públicos caso fossem pagos pela Prefeitura.