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Publicado em 16/08/2026, às 17h42 Arquivo pessoal / Joana Purin Redação Bnews
A discussão nas redes sociais sobre a chamada onda de "magreza extrema" entre celebridades voltou a colocar os transtornos alimentares em evidência. O problema, porém, está longe de se restringir ao universo dos famosos. Dados do Ministério da Saúde apontam que 4,7% da população brasileira enfrenta algum tipo de transtorno alimentar, entre eles anorexia nervosa e bulimia.
A modelo Joana Purin, de 28 anos, viveu de perto as consequências da doença. A relação problemática com a alimentação e a própria imagem começou em 2021, quando trabalhava para uma agência no Chile. Na época, passava longos períodos sem se alimentar, comportamento que também observava entre colegas, e chegou aos 38 quilos. Com a ajuda da mãe, recuperou peso e decidiu se afastar temporariamente da carreira. As informações são da revista Marie Claire.
O quadro voltou a se agravar em 2025, após Purin enfrentar a morte da avó, um divórcio e um episódio de depressão acompanhado de perda de apetite. Ao perceber que estava emagrecendo, passou a gostar da nova aparência e começou a recorrer esporadicamente a canetas emagrecedoras. Depois de uma consulta em que seu psiquiatra demonstrou preocupação com seu estado físico, ela decidiu, em vez de interromper o processo, tentar perder ainda mais peso.
Por conta própria, a modelo aplicou de uma só vez 15 mg de uma caneta à base de retatrutida. A substância, desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly, ainda não foi lançada comercialmente, o que indica que o produto utilizado por Purin tinha origem ilegal. Após a aplicação, ela apresentou hipoglicemia e, seguindo orientação do psiquiatra, procurou atendimento médico.
Em julho, Purin permaneceu internada por 20 dias. Durante o tratamento, precisou receber alimentação por sonda e posteriormente por via intravenosa. O uso de um cateter ainda provocou uma trombose no braço. No hospital, a modelo recebeu os diagnósticos de anorexia nervosa e desnutrição, além do quadro depressivo que já estava sendo acompanhado.
Após a experiência, Purin passou a mostrar nas redes sociais etapas do tratamento e começou a receber relatos de outras pessoas e familiares que convivem com transtornos alimentares. "Mães de meninas de 12, 13 anos comparam os sintomas e percebem que é a mesma situação pela qual as filhas estão passando", contou.
A psiquiatra Mireille Almeida, coordenadora do Ambulatório de Transtornos Alimentares da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, ressalta que o envolvimento familiar pode ser decisivo na recuperação. "Quando a família consegue compreender o quão prejudicial é esse excesso de preocupação com o peso e com a forma corporal e se engaja no tratamento, isso ajuda a mudar a perspectiva na família como um todo", explicou.