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Publicado em 30/09/2026, às 12h54 Reprodução/ NBC News e Reprodução/ Google Street View Redação Bnews
O rapper Sean “Diddy” Combs, de 56 anos, o P. Diddy, estaria vivendo uma rotina de privilégios dentro da prisão federal de Fort Dix, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Segundo quatro detentos que dividiram unidade com o artista, ele teria homens responsáveis por cozinhar, limpar, arrumar sua cama e lavar suas roupas, além de contar com um preso que faria massagens ao estilo chinês.
As informações foram obtidas pela NBC News a partir de relatos anônimos, fotos e vídeos feitos dentro da unidade.
“Isso não é alguma coisa normal que você vê na prisão. Isso é coisa de rico”, afirmou um dos detentos. “Parece loucura, mas, de novo, é o Diddy.”
Segundo os relatos, Combs também teria acesso a celulares clandestinos para navegar pelo Instagram e visualizar fotos nuas e sexualmente explícitas enviadas por uma antiga namorada.
Os detentos disseram ainda que o rapper teria comprado de outros presos o Remeron, um antidepressivo conhecido dentro da prisão como “rem-roms” e procurado por alguns internos pelos efeitos de melhora do humor.
Nos fins de semana, Combs também teria acesso a bebidas alcoólicas escondidas. A bebida seria contrabandeada por agentes penitenciários e compartilhada com um grupo restrito de presos.
“Com certeza, eu bebi com ele”, relatou um dos homens, que disse ter tomado Hennessy com Combs.
Uma porta-voz do artista minimizou os relatos sobre a rotina dele na prisão. “O escrutínio contínuo de cada detalhe mundano da vida de Sean Combs na prisão chegou ao ponto em que a mídia caracteriza a vida prisional comum como notícia. A única notícia real é que Sean continua cumprindo sua sentença enquanto aguarda a decisão do tribunal sobre seu recurso”, afirmou.
O Bureau of Prisons, órgão responsável pelo sistema penitenciário federal dos Estados Unidos, declarou que não comenta as condições de um preso específico por razões de “privacidade, segurança e proteção”.
“Como todas as agências penitenciárias, o contrabando, particularmente celulares, narcóticos e armas, continua sendo um desafio constante, e continuamos trabalhando para combater o problema da entrada de contrabando em nossas instalações”, acrescentou o órgão.
De acordo com as fontes ouvidas pela NBC News, a rotina de privilégios teria um custo alto. Combs gastaria milhares de dólares por mês para manter o estilo de vida dentro da prisão.
O dinheiro seria enviado por pessoas de fora para as contas da cantina de presos que prestariam serviços ao rapper.
Entre eles estaria um homem encarregado de limpar o banheiro e a área do chuveiro antes que Combs os utilizasse. Outros presos seriam pagos para preparar refeições especiais, como frango ao curry, pizza e empanadas.
“Depois de um tempo, eu cansei de cozinhar”, contou um dos homens que preparava comida para Combs e outros detentos. “Ele começou a procurar os jamaicanos.”
Os relatos também apontam que presos guardariam o celular e as cartas recebidas por Combs.
“É tanta coisa que ele recebe”, afirmou uma das fontes. “Ele não tem espaço para isso.”
A unidade federal de Fort Dix enfrenta há anos problemas relacionados à entrada de itens proibidos. Na semana anterior à publicação da reportagem, cinco pessoas, entre elas um agente penitenciário em atividade e outro ex-funcionário, foram acusadas de participar de um esquema para levar produtos ilícitos para dentro da prisão.
Segundo promotores federais, entre os itens estavam facas, maconha e celulares.
Desde 2020, autoridades também acusaram diversas pessoas de usar drones para lançar produtos ilícitos no pátio ou sobre o telhado da prisão. Entre os suspeitos estavam presos e pessoas de fora que já haviam cumprido pena na unidade.
Em um dos casos, funcionários de Fort Dix interceptaram uma bolsa de lavanderia de 46 libras, cerca de 21 quilos, cheia de contrabando.
A prisão federal de Fort Dix fica a cerca de 97 quilômetros a sudoeste de Nova York e abriga aproximadamente 4 mil detentos.
Combs chegou à unidade em outubro, depois de ser condenado por duas acusações relacionadas ao transporte de pessoas entre estados para encontros sexuais.
O julgamento teve depoimentos sobre encontros sexuais organizados pelo rapper, chamados de “freak offs”, que envolviam profissionais do sexo masculinos, fantasias, drogas e antigas namoradas, incluindo a cantora Cassie.
Cassie havia processado Combs, acusando-o de anos de abuso físico e sexual. O processo foi posteriormente encerrado por meio de um acordo, enquanto Combs negou as acusações.
No julgamento, um júri de Nova York inocentou Combs das acusações de tráfico sexual e associação criminosa, que poderiam resultar em prisão perpétua. Ele acabou condenado pelas duas acusações relacionadas ao transporte de pessoas para encontros sexuais e cumpre uma pena de 50 meses.
Após a sentença, os advogados de Combs defenderam que ele fosse enviado para Fort Dix, em parte porque a unidade oferece um programa de tratamento contra drogas.
A conclusão do programa, que dura vários meses, pode resultar na redução do tempo de prisão de um detento.
Combs entrou no programa ao chegar à unidade. Segundo as fontes, porém, não demorou para que ele conseguisse um celular, bebidas alcoólicas e um grupo crescente de presos trabalhando para ele.
“Praticamente no dia em que ele chegou, a festa começou”, afirmou uma das fontes.
Segundo os relatos, muitos presos de Fort Dix consomem álcool e Remeron. O medicamento é prescrito a detentos que sofrem de depressão e ansiedade, mas também seria comercializado no mercado clandestino da prisão.
“Você pode conseguir praticamente qualquer coisa, exceto a chave da porta da frente e uma mulher”, disse um dos detentos.
Dois dos presos ouvidos pela NBC News afirmaram que Combs também teria conseguido um tablet desbloqueado ilegalmente, usado para assistir a filmes e documentários.
Entre os conteúdos estaria “Sean Combs: The Reckoning”, série documental da Netflix produzida por 50 Cent, antigo desafeto do rapper.
A presença de Combs também teria provocado situações incomuns dentro da unidade. Nos primeiros dias, ele teria circulado apenas de toalha ou de cueca depois do banho. Outros detentos chegaram a alertá-lo de que poderia ser alvo de violência sexual.
“Isso não é normal”, afirmou uma das fontes.
Durante o verão, Combs foi colocado em confinamento solitário após uma briga com outro detento, segundo reportagem anterior da NBC News. Mais tarde, de acordo com as fontes, ele foi retirado do programa de tratamento contra drogas.
Depois de sair do confinamento, os relatos apontam que Combs voltou a contar com uma equipe de presos responsável por atender às suas necessidades.
“Ele é bilionário. As pessoas ficam impressionadas com ele”, afirmou uma das fontes. “Dinheiro é poder, especialmente atrás das grades.”
Sean “Diddy” Combs está preso desde 16 de setembro de 2024, quando foi detido em Nova York. Inicialmente, o rapper ficou em um centro de detenção no Brooklyn durante o processo judicial e, posteriormente, foi transferido para a penitenciária federal de Fort Dix, em Nova Jersey, onde cumpre pena de 50 meses.
Diddy foi julgado em Nova York por cinco acusações federais. O rapper acabou condenado em duas acusações relacionadas ao transporte de pessoas entre estados para fins de prostituição, envolvendo a cantora Cassie Ventura e uma segunda mulher identificada no processo como “Jane”.
O júri, porém, o absolveu das acusações de tráfico sexual por força, fraude ou coerção envolvendo as duas mulheres e também da acusação de conspiração para extorsão, conhecida como racketeering.
Além do processo criminal, Combs também responde a dezenas de ações na esfera cível, nas quais diferentes pessoas fazem alegações de agressão física, abuso sexual, estupro e outras condutas de natureza sexual.
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