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Publicado em 20/07/2025, às 20h51 Reprodução Redação Bnews
A cantora, apresentadora e empresária Preta Gil morreu neste domingo (20), aos 50 anos, nos Estados Unidos, após complicações do câncer no reto, contra o qual lutava desde o início de 2023. A notícia foi confirmada por familiares. Ainda não há informações sobre o velório e o sepultamento.
Filha de Gilberto Gil, Preta Maria Gadelha Gil Moreira nasceu no Rio de Janeiro e passou a vida desafiando padrões. Foi com coragem, irreverência e voz potente que ela construiu uma carreira sólida e multifacetada ao longo de mais de duas décadas.
A estreia oficial na música aconteceu em 2003, com o lançamento do álbum Prêt-à-Porter. O trabalho trouxe a faixa “Sinais de Fogo”, composta por Ana Carolina, e chamou atenção pela capa, em que Preta apareceu completamente nua, um gesto ousado e simbólico, que desde cedo deixava claro o seu posicionamento: seu corpo, sua voz, sua escolha.
Vieram depois os álbuns Preta (2005), Sou como sou (2012), um dos mais autorais da carreira, e Todas as Cores (2017), que contou com participações de nomes como Ivete Sangalo, Lulu Santos, Thiaguinho, Anitta e Pabllo Vittar. Preta também lançou DVDs ao vivo, como Noite Preta (2010) e Bloco da Preta, celebrando o carnaval de rua que ajudou a transformar no Rio de Janeiro.
Fundado em 2009, o Bloco da Preta se tornou um dos principais do carnaval carioca, reunindo multidões nas ruas do centro da capital fluminense. A festa comandada por ela virou espaço de celebração da diversidade, com presença garantida de pessoas de todos os corpos, cores, gêneros e orientações.
Paralelamente à música, Preta também atuou como atriz em novelas e séries da TV Globo, e foi apresentadora de programas como Esquenta! e The Voice Brasil. Sempre à vontade diante das câmeras, era conhecida por sua espontaneidade e bom humor.
Em 2017, ela deu mais um passo importante na carreira ao se tornar sócia da agência Mynd, especializada em marketing de influência e gestão de artistas. Ali, colocou em prática seu olhar apurado sobre cultura e comportamento, além de abrir espaço para novas vozes.
Mais recentemente, em 2024, lançou sua autobiografia Preta Gil: Os Primeiros 50, em que narra a própria vida com franqueza, dor e afeto. No livro, revisita memórias da infância, da maternidade, dos relacionamentos e da luta contra o câncer.
Preta foi também uma das vozes mais firmes na defesa da representatividade e da liberdade dos corpos. Falava sem medo sobre bissexualidade, gordofobia, racismo e machismo — não por modismo, mas porque essas pautas atravessavam sua vida. Fez da arte um espaço de acolhimento e provocação.
Ela deixa um filho, Francisco Gil, fruto de seu primeiro casamento e integrante da banda Gilsons, além de amigos, fãs e uma legião de admiradores que encontravam nela força para serem quem são.
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