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Quem são os 10 artistas com maiores cachês do São João 2026 na Bahia e por que o forró não aparece na lista

Lista de 137 prefeituras da Bahia revela os maiores cachês pagos a artistas; ranking é liderado por nomes do sertanejo e expõe críticas de forrozeiros e atuação do MP-BA (Ministério Público da Bahia) sobre os gastos públicos  |  Divulgação e Arquivo/BNEWS

Publicado em 09/06/2026, às 06h19   Divulgação e Arquivo/BNEWS   Redação Bnews

Os dez maiores cachês pagos por 137 prefeituras baianas para o São João de 2026 concentram-se em artistas que não têm o forró tradicional como ritmo.

Os dados, obtidos a partir do portal da transparência do Ministério Público da Bahia (MP-BA), mostram valores que chegam a R$ 1,1 milhão, enquanto nomes históricos do forró recebem até R$ 250 mil. A disparidade gerou críticas de artistas e do público, que cobram valorização da cultura nordestina.

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Quem são os artistas com maiores cachês
A lista reúne nomes do sertanejo e de outros estilos populares no circuito comercial de festas. Nenhum deles representa o forró tradicional:

Dos dez artistas, apenas Wesley Safadão e Nattan são nordestinos e ligados ao forró estilizado. Ainda assim, os valores pagos a esse grupo chegam a ser mais de quatro vezes maiores do que os cachês de artistas tradicionais do São João, como Alceu Valença, Elba Ramalho e Alcymar Monteiro.

Críticas e reação dos forrozeiros
A discrepância dos cachês gerou reação de forrozeiros. O cantor Flávio José anunciou o cancelamento de cerca de 15 shows na Bahia. Segundo ele, prefeituras se recusaram a pagar o cachê solicitado para 2026.

"Às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê! Enquanto outros artistas que nada têm a ver com forró, como sertanejos, ganham rios de dinheiro", disse.

Flávio José cobra R$ 350 mil por apresentação. O valor é 40% maior que o de 2025, o que motivou questionamentos do MP-BA.

A reação foi imediata. Internautas passaram a questionar por que artistas de outros ritmos recebem valores até três vezes maiores sem restrições. O cantor Santanna também criticou:

"A cultura popular nordestina está sendo vilipendiada depois desse ataque ao nosso maior nome do forró".

Em entrevista ao PipocaCast, ele já havia apontado perda de espaço dos forrozeiros: "Eu notava que já existia uma vontade de tirar a gente. Eu, Flávio José...".

O cantor e compositor Flávio Leandro também se manifestou, destacando desigualdade nos cachês:

"Existe a farra dos cachês, sim. É clara, nítida; mas tem uma lista de coisas inconclusas e a maior de todas elas é o piso dos cachês de artistas de bairro, dos trios de forró, de Zé, de Maria, de Pedro e de Chiquinha, que se submetem a cachês humilhantes que roubam sonhos, paz e dignidade. E eu, gente, sinceramente não vejo o Ministério brigando por essa dignidade, da qual depende um número imenso de artistas."

Segundo levantamento feito pelo Uol, há 201 cachês inferiores a R$ 1.000 pagos a artistas locais na Bahia, incluindo apresentações de R$ 200.

Flávio Leandro também saiu em defesa de Flávio José: "Ele tem público para lotar qualquer casa de show do país. Acontece que ele próprio filtra a quantidade de apresentações anuais, prova de que tem uma vida financeira resolvida. É lamentável que o filtro necessário do MP não consiga extrair a grandiosidade de Flávio José para o São João e o trate de forma simplista, apenas com números. Isso é absurdo."

O que diz o MP-BA
O MP-BA (Ministério Público da Bahia) afirma que atua desde 2022 com um portal de transparência para monitorar os gastos das festas juninas. Segundo o órgão, os valores médios dos contratos subiram de R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil nos últimos quatro anos.

Diante disso, a recomendação para 2026 foi limitar os cachês ao valor pago em 2025, acrescido da inflação. De acordo com o MP-BA, a ação já resultou em uma redução de R$ 18,7 milhões nos cachês, em relação ao ano passado. Até o momento foram revistos 501 contratos em 214 municípios de todo o estado. A expectativa é de que nos próximos dias o corte alcance valores ainda mais expressivos. 

O órgão também explicou que as recomendações buscam a adequação do contrato às orientações técnicas dos órgãos de controle, construídas a pedido dos próprios gestores municipais, via União dos Municípios da Bahia (UPB).

O MP-BA também afirmou que notificou mais de cem municípios por pagamentos acima do recomendado, incluindo contratações de Flávio José por R$ 350 mil. O órgão sustenta que critérios como notoriedade e projeção artística influenciam os valores.

Classificação Indicativa: Livre


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