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Publicado em 26/08/2026, às 10h29 Reprodução / Redes Sociais Tiago Di Araújo
Referência no jornalismo e uma das vozes mais influentes da cultura negra contemporânea, a comunicadora Maíra Azevedo, que ficou conhecida como Tia Má, usou suas redes sociais para fazer um desabafo visceral sobre a onda de questionamentos enfrentada por mulheres que decidem denunciar abusos em relacionamentos.
O posicionamento ocorre após o doloroso depoimento da atriz e influenciadora Alana Ayoka, que expôs um histórico de violência física e tortura psicológica mantido entre 2019 e 2023. Embora Alana não tenha pronunciado nominalmente o ex-companheiro nos vídeos, internautas associaram as acusações ao ator baiano Evaldo Macarrão.
Ao publicar o vídeo no Instagram, a apresentadora fez questão de pontuar na legenda a necessidade urgente de empatia e acolhimento com quem decide quebrar o silêncio:
"Toda vez que uma mulher faz uma denúncia sobre a violência que sofreu… aparece alguém para questionar o tempo que ela levou para denunciar e como a denúncia vai destruir a vida dessa mulher… a gente precisa entender que algumas sofrem tanta violência que precisam de tempo para conseguir denunciar! Que a gente acolha!", escreveu Tia Má.
Tia Má, que já havia prestado apoio público a Alana na publicação original, gravou a mensagem direcionada aos críticos que questionam o tempo que a vítima levou para vir a público. Sem citar o nome do artista, a jornalista indignou-se com a postura de quem tenta culpar a mulher pelas consequências profissionais do agressor.
"É impressionante como, diante de uma denúncia de violência contra uma mulher, alguma das primeiras perguntas ainda seja sobre o tempo que ela levou para fazer essa denúncia e como essa denúncia pode atingir a vida do agressor. Mas quase ninguém pergunta o que aconteceu com a vida daquela mulher naquele dia ou durante aquele período que ela sofreu em uma relação abusiva", iniciou a comunicadora no vídeo.
No registro, Tia Má explicou detalhadamente que o medo de não ser creditada, a dependência financeira, a vergonha e a manipulação psicológica paralisam as vítimas por anos. Para a jornalista, a acusação de que a denúncia "destrói carreiras" é uma inversão de papéis perversa.
"A denúncia não cria consequência, a denúncia revela o que aconteceu. Quando a mulher denuncia, ela não tá destruindo a vida de um homem, ela tá tentando, tentando reconstruir a sua própria história. Quando ela finalmente fala, o silêncio que protegeu o agressor deixa de existir", enfatizou a apresentadora.
A influenciadora ainda cobrou uma mudança urgente de perspectiva na sociedade para parar de proteger quem pratica a violência. "Porque ao invés de a gente perguntar assim: 'Ah, mas por que ela só falou agora?', por que a gente não faz a pergunta dessa forma assim: 'Por que esse homem fez isso? Por que ele achou que ele poderia agredi-la?' Eu acho que talvez fosse mais eficiente", completou.
O desabafo de Alana Ayoka quebrou um silêncio de anos e chocou as redes sociais com revelações sobre o calvário que viveu entre 2019 e 2023. Segundo o relato da artista, o namoro começou harmonioso, mas mudou drasticamente após o sexto mês, dando lugar a uma rotina de gritos, humilhações diárias, isolamento e agressões físicas.
Entre os episódios mais graves, Alana revelou ter sido vítima de gaslighting constante — prática de manipulação mental em que o agressor faz a vítima duvidar de sua própria sanidade —, sendo xingada de "burra" repetidamente. A jovem denunciou ainda ataques diretos à sua religiosidade, afirmando que sua fé no Candomblé era usada para desestabilizá-la e que um altar sagrado onde guardava orações foi invadido e usado como chantagem.
Durante o isolamento da pandemia de Covid-19, o ambiente doméstico tornou-se insustentável. "Vocês não sabem o que é acordar se debatendo, passando mal com alguém segurando o seu pulso ou olhar para o seu calcanhar esperando você acordar mal... E ria! Ele ria de como eu estava me sentindo", relembrou Alana.
A influenciadora relatou ter tido as mãos entortadas, ter sido arrastada pelo braço pela casa de madrugada e presenciado animais de estimação serem ameaçados e arremessados. O ponto final veio em 2023, quando, após ter um prato de barro quebrado na parede e ser trancada no imóvel, precisou ameaçar chamar a polícia para conseguir fugir. Hoje, Alana faz acompanhamento psicológico para tratar um quadro severo de estresse pós-traumático.
O forte relato gerou uma imensa corrente de solidariedade no meio artístico. Além de Tia Má, nomes como as atrizes Elisa Lucinda, Jennifer Nascimento, Maria Bomani, a ex-BBB Lumena Aleluia e a apresentadora Rita Batista usaram as redes sociais para declarar apoio irrestrito a Alana e repudiar a violência relatada.
Diante da repercussão massiva e das associações na web, a equipe de Evaldo Macarrão enviou uma nota oficial à imprensa esclarecendo que o ator optou por não comentar o conteúdo divulgado neste momento. A assessoria ressaltou que o nome de Evaldo não foi citado na publicação original, informou que sua equipe jurídica foi acionada para tomar as medidas cabíveis contra as ilações de terceiros e reiterou o repúdio do artista a qualquer forma de violência contra a mulher.
"Em razão das recentes publicações que vêm circulando nas redes sociais, o ator Evaldo Macarrão informa que, neste momento, opta por não comentar o conteúdo divulgado.
Ressalta-se que, na publicação original que deu origem às recentes repercussões, o nome do ator não é mencionado. Eventuais associações e acusações posteriormente realizadas por terceiros estão sendo analisadas pelas vias adequadas e sua equipe jurídica já está adotando as providências cabíveis.
O ator repudia toda e qualquer forma de violência, especialmente a violência contra a mulher, e reafirma seu compromisso com o respeito, a dignidade e a integridade de todas as pessoas", diz o posicionamento na íntegra.