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Publicado em 02/07/2025, às 08h48 Domínio público / Acervo Arquivo Nacional Juliana Barbosa
A vereadora Jéssica Lemonie (PL), da cidade de Itapoá, em Santa Catarina, usou a tribuna da Câmara Municipal para defender a retirada do livro Capitães da Areia, de Jorge Amado, do currículo das escolas públicas do município.
Em discurso feito no último dia 16 de junho, a parlamentar alegou que a obra é inapropriada para estudantes de 12 e 13 anos e sugeriu que seu uso em sala de aula seria uma forma de “infiltração da esquerda” na educação. As informações são do portal Metrópoles
“A classificação dele divulgada e oficial é de 14 anos. Ele (o livro) promove a marginalização infantil. Será que é uma maneira pela qual a esquerda está infiltrando esses livros nas escolas? Sim. Quem foi Jorge Amado? [...] Na verdade, sim, um escritor comunista, famoso e conhecido, que inclusive foi deputado federal e teve seu mandato cassado”, disse a vereadora durante a sessão.
Segundo ela, o livro tem sido discutido com alunos do ensino fundamental da rede pública, o que considera impróprio. Jéssica também citou um trecho da obra que aborda o estupro de uma jovem para justificar seu posicionamento.
“Esse tipo de material é para adultos. Esse tipo de material é para quem quer buscar esse conhecimento, ter ele à disposição, não para os alunos de 12 ou 13 anos na sala de aula como matéria avaliativa, tendo que discutir sobre isso.”
Apesar da crítica, ela reconheceu que a obra pode estar disponível em bibliotecas públicas, por ser considerada leitura obrigatória em diversos vestibulares, mas reforçou que, em sua visão, não deve ser aplicada como conteúdo escolar para crianças.
Publicado em 1937, Capitães da Areia é um dos livros mais importantes da literatura brasileira. A obra retrata um grupo de meninos de rua que vivem em um trapiche abandonado em Salvador, na Bahia. Com um olhar social e crítico, o romance aborda temas como pobreza, abandono, repressão e a luta por sobrevivência nas margens da sociedade.
Apesar de sua relevância, a obra foi queimada em praça pública por militares na década de 1930, quando Jorge Amado foi perseguido por sua militância comunista. Anos depois, o livro passou a ser adotado em escolas e vestibulares em todo o país.
Vale lembrar que, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, livros não passam por classificação indicativa oficial, ao contrário de filmes, programas de TV e jogos. Ou seja, não há uma faixa etária obrigatória para leitura da obra.
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