Entrevista

Entrevista: "Ambiente de negócios na Bahia é extremamente dinâmico", avalia ministro do Turismo ao BNews

Ministro do Turismo aponta a importância de investir em agências de viagens para fortalecer o ecossistema turístico da Bahia.  |  Divulgação / MTur

Publicado em 23/08/2026, às 05h00   Divulgação / MTur   Henrique Brinco

O setor turístico da Bahia vive um momento de expansão no acesso a crédito para investimentos, segundo avaliação do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. Em entrevista ao BNews, ele destacou o crescimento da procura pelo Fundo Geral de Turismo (Fungetur), que registrou aumento de 140% no volume de recursos contratados no estado entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado.

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Para o ministro, o resultado reflete tanto o maior número de instituições financeiras credenciadas quanto a confiança dos empresários na retomada e no potencial de crescimento da atividade turística.

De acordo com Feliciano, a Bahia passou de quatro agentes financeiros parceiros em 2025 para sete em 2026. Entre as instituições estão o Banco do Nordeste, a Desenbahia, as cooperativas Cresol Baser e Cresol Brasil e a Caixa Econômica Federal. A ampliação da rede fez com que o Fungetur chegasse a 19 municípios baianos neste ano, contra oito anteriormente. O número de operações também quase triplicou, passando de 13 para 36.

Leia a entrevista na íntegra:

BNews - Como o Ministério avalia atualmente o ambiente de negócios para o setor turístico na Bahia?

Gustavo Feliciano - O ambiente de negócios na Bahia é extremamente dinâmico, pulsante e em expansão. O Estado reúne desde a força cultural e gastronômica à diversidade do litoral e do ecoturismo no interior. O que vemos em 2026 é um empresariado motivado pelo aumento do fluxo de visitantes e disposto a profissionalizar a gestão, manter a liquidez e modernizar seus serviços. A resposta rápida que o trade baiano deu à oferta de crédito do Fungetur demonstra que há apetite para crescer e que o setor privado enxerga o turismo como um motor permanente de desenvolvimento econômico.

BNews - O que explica o crescimento de 140% no volume de recursos do Fungetur contratados na Bahia entre janeiro e julho de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025?

Gustavo Feliciano - Esse salto é resultado direto da expansão da nossa rede de atendimento e da confiança do setor. Em 2025, foram utilizados 4 agentes financeiros na Bahia. Em 2026, já são 7 instituições parceiras, incluindo bancos públicos e cooperativas de crédito, como o Banco do Nordeste (BNB), a Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia), a Cresol Baser e a Cresol Brasil, além da Caixa Econômica Federal, que opera o crédito em nível nacional. Ter mais canais de atendimento fez com que o recurso chegasse mais longe, alcançando 19 municípios. Além disso, os empresários entenderam que as taxas de até 5% ao ano acrescidas do INPC e os prazos de carência de até cinco anos oferecem a segurança necessária para captação de recursos no momento certo.

BNews - O número de operações quase triplicou, passando de 13 para 36. O Ministério do Turismo identifica alguma mudança específica na política de acesso ao crédito que tenha contribuído para esse avanço?

Gustavo Feliciano - A principal mudança foi a democratização do acesso, colocando o micro e pequeno empresário no centro das atenções. Em 2025, nenhuma microempresa havia contratado operações pelo Fungetur no Estado. Já em 2026, as microempresas lideram com 44,4% dos contratos e as pequenas somam 38,9%. Ou seja, mais de 83% do crédito foi destinado aos pequenos empreendedores que fazem o turismo acontecer no dia a dia. Alcançamos isso ao orientar os agentes parceiros a desburocratizar a análise, utilizar o Cadastur (Cadastro dos Prestadores de Serviços Turísticos) como elemento facilitador de habilitação e intensificar a divulgação de forma direta junto ao trade turístico local.

BNews - Quais são hoje as principais dificuldades enfrentadas por micro e pequenas empresas do setor turístico para acessar os recursos do Fungetur? O governo estuda criar mecanismos para reduzir essa dificuldade?

Gustavo Feliciano - O Ministério do Turismo vem promovendo atendimentos técnicos presenciais em todo o país para orientar os empreendedores do setor quanto ao adequado acesso ao Fungetur. Esses encontros, que reúnem empresários, gestores públicos e instituições financeiras credenciadas, tiram dúvidas dos interessados e auxiliam diretamente na correta formatação das propostas de financiamento, garantindo que os empreendedores saibam exatamente quais procedimentos devem seguir em relação a garantias e à documentação técnica exigida no processo de análise financeira. Também mantemos permanente diálogo com os agentes financeiros para ajustar os critérios de análise às reais especificidades e capacidades do segmento de pequeno porte. Nossa prioridade é garantir que o crédito chegue de forma rápida e desburocratizada à ponta, encurtando o caminho entre a necessidade do comerciante e a liberação do dinheiro.

BNews - Salvador e outros municípios turísticos concentram parte relevante da atividade econômica do estado. Existe uma estratégia para ampliar a presença do Fungetur no interior da Bahia e alcançar municípios que ainda não tiveram operações contratadas? Como o fundo pode contribuir para desenvolver destinos ainda pouco explorados comercialmente?

Gustavo Feliciano - A estratégia de interiorização está em pleno curso e os números provam isso, com a expansão de 8 para 19 municípios atendidos em 2026. Queremos ir ainda mais longe, fortalecendo parcerias com cooperativas de crédito e bancos estaduais e regionais que possuem agências no interior. Em destinos pouco explorados, o Fungetur é a oportunidade que prepara a cidade para receber bem. Em um destino novo, o crédito financia desde a preparação da pousada e a reforma do restaurante até a compra da van que vai levar os turistas aos passeios. O Fundo pega aquele potencial natural que a cidade já tem e entrega uma possibilidade para gerar renda e emprego para a comunidade local.

BNews - Algum financiamento já foi considerado irregular ou teve problemas na Bahia em 2026?

Gustavo Feliciano - Todas as operações do Fungetur passam por rigorosas etapas de análise de risco, verificação de conformidade e validação de garantias, conduzidas diretamente pelos agentes financeiros credenciados. Essas instituições parceiras possuem expertise técnica para avaliar a capacidade de crédito e a viabilidade dos projetos antes de qualquer liberação, e esse acompanhamento constante assegura que cada centavo alocado cumpra estritamente os requisitos legais e contratuais. O crédito do Fungetur é buscado por aqueles que realmente querem aprimorar seus negócios, modernizar suas estruturas, prosperar e gerar empregos. Seguiremos atuando para garantir que o fomento ao turismo seja pautado pela eficiência e pelo impacto econômico positivo em todo o país.

BNews - Qual é atualmente a taxa de inadimplência dos financiamentos do Fungetur na Bahia e como ela se compara à média nacional?

Gustavo Feliciano - Conforme estabelecido nos contratos firmados entre o Ministério do Turismo e os agentes financeiros credenciados, as instituições assumem 100% do risco de crédito. A cobrança operacional das linhas do Fungetur é descentralizada e feita diretamente pelos agentes habilitados a conceder os financiamentos. O foco central da nossa gestão é trabalhar incansavelmente para democratizar e desburocratizar o crédito para quem faz o turismo acontecer. Estamos empenhados em expandir as linhas do Fungetur, simplificar processos e criar condições cada vez mais acessíveis para que principalmente micro e pequenos empreendedores baianos – e de todo o Brasil – possam investir, modernizar seus negócios e gerar emprego e renda nos destinos nacionais.

BNews - Estar cadastrado no Cadastur é um requisito obrigatório para acessar o Fungetur. Como o empreendedor baiano pode se inscrever no sistema para habilitar sua empresa ao financiamento?

Gustavo Feliciano - O Cadastur é a porta de entrada para o crédito e para a formalização do setor. O processo de inscrição é totalmente digital, rápido e 100% gratuito. O prestador de serviços turísticos – seja de meios de hospedagem, agências de viagens, restaurantes, guias ou transportadoras – deve acessar o portal oficial do Cadastur na internet (https://cadastur.turismo.gov.br), realizar o login com a conta Gov.br, preencher os dados da empresa e anexar a documentação exigida para a sua categoria. O certificado é emitido digitalmente após a validação. Estar regular no Cadastur não é apenas uma exigência legal e um pré-requisito obrigatório para pleitear o Fungetur junto às instituições financeiras, mas também uma chance de o empreendedor mostrar que opera na legalidade e ainda conquistar visibilidade junto ao consumidor.

BNews - Se o ministro tivesse que apontar um único segmento do turismo baiano que deveria receber mais investimentos hoje, qual seria?

Gustavo Feliciano - Embora a gastronomia seja a grande porta de entrada da cultura baiana e lidere as contratações, o segmento que pode ser estratégico para alavancar todo o ecossistema é o de agências de viagens e transporte turístico. Vemos que as agências já saltaram para a vice-liderança em 2026, com 22,2% dos contratos. Investir na estruturação receptiva e na mobilidade é o que permite conectar Salvador ao Recôncavo, à Chapada Diamantina e às diferentes partes do litoral baiano. Quando o turista encontra deslocamento seguro, passeios integrados e roteiros bem estruturados, ele permanece mais dias no estado, consome no pequeno comércio e distribui renda por toda a Bahia.

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