Entrevista
Publicado em 31/08/2026, às 19h34 Reprodução/Bnews TV Analu Teixeira
O fechamento de escolas tradicionais de Salvador, como o Odorico Tavares, o Carneiro Ribeiro e o Divino Mestre, colocou em debate um possível abandono da educação pública durante o BNews Agora, nesta segunda-feira (31). Questionado sobre o tema, o professor de História e humorista Matheus Buente discordou de uma explicação generalizada para o cenário e chamou atenção para situações distintas por trás de cada unidade.
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Ao falar especificamente sobre o Odorico Tavares, que funcionava no Corredor da Vitória, Buente foi enfático ao relacionar o fechamento da escola à especulação imobiliária em uma das regiões mais valorizadas da capital baiana.
Uma [questão] é a especulação imobiliária da cidade, que é o que afetou o Odorico Tavares. [...] Quem botou o Odorico Tavares para fechar foi a comunidade do Corredor da Vitória. Isso aí a gente precisa dizer”, declarou.
A afirmação foi questionada ainda durante a entrevista, mas Buente manteve o posicionamento. “Não acho, não. Isso aí é sabido, que foi interferência da região por conta da especulação imobiliária”, afirmou.
Na avaliação do professor, os interesses econômicos em torno dos terrenos da região ajudam a explicar o que aconteceu com a antiga unidade. “Quem mora no Corredor da Vitória é dono de imobiliária, é dono de incorporadora, é a galera que pode pegar aquele terreno, fazer um prédio maravilhoso e vender por milhões de reais”, disse.
Apesar da crítica envolvendo o Odorico Tavares, Matheus Buente ponderou que o fechamento de algumas unidades não é suficiente para afirmar que a estrutura da educação pública baiana foi abandonada. Ao mencionar o Carneiro Ribeiro, por exemplo, ele lembrou dos problemas relacionados à estrutura física da escola.
Por outro lado, Buente elogiou o modelo das novas escolas estaduais inauguradas pelo Governo da Bahia em diferentes regiões de Salvador, citando unidades no Cabula e no Imbuí.
“Acho que um dos acertos do atual governo é o modelo novo de escola. [...] Já tem várias unidades inauguradas aqui em Salvador e são escolas muito boas mesmo. A estrutura é de uma escola particular”, avaliou.
Para ele, outros problemas deveriam ocupar o centro da discussão sobre a educação pública. “Acho que tem outras questões, como, por exemplo, orçamento, investimento, valorização do professor, que são mais urgentes do que a abertura ou fechamento de escola”, afirmou.
Buente também diferenciou os problemas enfrentados nas diferentes etapas do ensino. Segundo o professor, a Bahia não enfrenta atualmente um déficit de vagas no ensino médio, mas ainda há dificuldades no acesso à educação infantil.
“A Bahia hoje não tem déficit de vaga no ensino médio, por exemplo. Então todo mundo que quer matricular seu filho no ensino médio consegue vaga. Não é uma questão de que tem que fazer mais escola, é que as escolas que existem têm que ser melhores”, declarou.
Em relação às creches e aos anos iniciais, Buente lembrou que a responsabilidade é dos municípios e defendeu que a população também saiba direcionar as cobranças aos entes responsáveis.
“A gente tem déficit na educação básica, então tem muita gente que não consegue vaga em creche, não consegue vaga nos ensinos iniciais, na educação infantil. [...] Até o nono ano é responsabilidade dos municípios. O ensino médio é responsabilidade do Estado. Então, até nisso a gente tem que saber direito a quem cobrar”, concluiu.