Entrevista

“Ninguém se importa com o professor”, dispara Matheus Buente ao falar sobre violência nas escolas

Durante entrevista, Matheus Buente destaca o aumento da violência contra educadores e a necessidade de apoio da sociedade  |  Divulgação

Publicado em 31/08/2026, às 19h05   Divulgação   Analu Teixeira

O professor de História e humorista Matheus Buente fez um alerta sobre o crescimento dos casos de violência contra professores e defendeu uma mudança na relação entre famílias, estudantes e escolas. A declaração foi dada nesta segunda-feira (31), durante entrevista ao programa BNews Agora, na Rádio Itapoan FM.

Acompanhe as principais notícias também no nosso canal do YouTube; clique aqui

Siga o BNews no Google e receba as principais notícias no seu celular

Ao comentar episódios recentes de agressões contra profissionais da educação, Buente avaliou que existe um processo de desvalorização da figura do professor e afirmou que a categoria não recebe a mesma mobilização da sociedade diante dos problemas enfrentados dentro das salas de aula.

No fundo, no fundo, ninguém se importa com o professor. Ninguém se mobiliza pelo professor”, afirmou.

Para o professor, parte do problema está na forma como a sociedade passou a enxergar a escola e os profissionais que trabalham nela. Segundo Buente, uma relação cada vez mais “mercantilista” faz com que o educador seja visto apenas como um funcionário, em vez de uma autoridade dentro do ambiente escolar.

“A partir do momento que você tem uma sociedade que olha para o professor como funcionário, e não como autoridade, que deveria ser, aí você inverte tudo”, analisou.

Papel das famílias

Durante a entrevista, Matheus Buente também chamou atenção para a responsabilidade das famílias na formação de crianças e adolescentes. Para ele, a escola não pode assumir sozinha a tarefa de estabelecer limites e ensinar como lidar com frustrações e conflitos.

É a mãe e o pai que têm que dar limite, por exemplo. Não é só a escola”, declarou.

O humorista ainda relacionou comportamentos violentos de adolescentes a ambientes familiares marcados pela violência ou pela falta de atenção e afeto. Segundo ele, mesmo em casas onde existe uma estrutura familiar presente fisicamente, pode haver ausência de diálogo e acompanhamento.

“Tem o pai, tem a mãe, tem ali o tio, uma funcionária em casa, tem toda uma estrutura ali. Mas ninguém é com ele, ninguém conversa com ele, ninguém dá um afeto, ninguém se importa”, disse.

Buente ressaltou que isso pode contribuir para dificuldades na maneira como jovens expressam sentimentos e enfrentam situações de frustração. “É a pessoa que não sabe lidar com nenhum nível de frustração. É a pessoa que não sabe lidar com a divergência. E aí ela extravasa de uma forma que é muito violenta”, pontuou.

Apoio psicológico nas escolas

Como uma das medidas para enfrentar o problema, Matheus Buente defendeu a presença de profissionais de saúde mental no ambiente escolar. Na avaliação dele, o objetivo não seria transformar a escola em um espaço de terapia, mas oferecer suporte especializado para orientar professores e desenvolver atividades adequadas às necessidades dos estudantes.

“Uma coisa é ser professor, outra coisa é ser psicólogo. São áreas do conhecimento diferentes. Eu não consigo fazer o papel de uma psicóloga para minha turma, mas eu consigo fazer o que ela mandou”, explicou.

Buente afirmou ainda que esse acompanhamento pode ajudar o professor a compreender como trabalhar com diferentes perfis e necessidades dentro da sala de aula.

Isso não é feito só pelo professor. Isso é feito por um professor acompanhado de um profissional de saúde mental. Então é importante que as escolas olhem para isso”, concluiu.

Classificação Indicativa: Livre


Tagsviolênciaeducaçãodesvalorizaçãosaúde mentalmatheus buente