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João Oliveira alfineta Dr. Márcio e diz que pretende ser melhor que Moema

João Oliveira alfineta Dr. Márcio e diz que pretende ser melhor que Moema  |  

Publicado em 19/09/2012, às 00h00      Rafael Albuquerque (Twitter - @rafaelteescuta)

Eleito vereador duas vezes pelo PMDB e vice-prefeito duas vezes pelo PSDB, João Oliveira, candidato a prefeito de Lauro de Freitas, dessa vez pelo PT, concedeu entrevista ao Bocão News falando sobre projetos que pretende executar caso seja eleito. Tentando a sucessão de Moema Gramacho, Oliveira disse que fará uma gestão de continuidade, mas que pretende ser melhor prefeito do que Moema. O petista indiretamente deu pitaco na gestão do prefeito João Henrique ao citar o caso das barracas de praia: “Se Salvador tivesse alguém comprometido e com a metade da responsabilidade da prefeita Moema certamente a orla não teria sido derrubada daquela forma”. Por fim, João Oliveira alfinetou o adversário ao citar a disputa política em Lauro de Freitas: “não se apresenta como político, mas como um médico que com a receita do SUS tenta vencer um projeto político praticando o discurso da terra arrasada”. Confira a entrevista na íntegra abaixo:


Bocão News: qual sua trajetória política até chegar ao posto de candidato a prefeito da cidade de Lauro de Freitas?
João Oliveira: sou um homem simples. Venho de uma família humilde, onde minha mãe teve 16 filhos. Comecei a trabalhar muito cedo, no tempo em que não existia o Estatuto da Criança e do Adolescente. Fui ajudante de mecânico, aprendiz de ourives, entregador de jornal, vendedor de loja, servente prático de construção civil, auxiliar e chefe de escritório de construção civil, até hoje me tornar vice-prefeito dessa cidade. Não cheguei aqui na condição de político. Vim morar aqui e moro na mesma casa há 34 anos. Sou casado com dona Abigail, tenho três filhas e três netos. Participo da vida pública há mais de 24 ano; estou no sexto mandato consecutivo. Fui vereador desta cidade por quatro mandatos; presidente da Câmara por três vezes. Atualmente, como muito orgulho, sou companheiro de governo da prefeita Moema Gramacho, exercendo a função de vice-prefeito pela segunda vez. Estou à disposição do município de Lauro de Freitas para fazer um bom trabalho, pra fazer mais do que foi feito pelo governo da prefeita Moema Gramacho, que eu integro e ajudei a construir e implementar tantas políticas públicas que hoje essa cidade experimenta.


BN: Como foi a decisão de lançar o senhor como candidato à sucessão da prefeita Moema Gramacho?
JO: aconteceu de uma forma natural por conta de nossa história, do nosso equilíbrio, por eu estar antenado com as coisas que acontecem em nosso município. Isso faz com que eu possa agregar esse suporte dos partidos que compõem a base do governo. Obviamente eu contei e conto com a confiança plena da prefeita Moema Gramacho. Nosso objetivo é fazer com que esse projeto, que tem modificado a vida das pessoas para melhor, possa estar avançando cada vez mais, tanto no governo municipal, quando no estadual com Jaques Wagner (PT) e federal com a presidente Dilma Rousseff (PT).


BC: A educação é um problema nacional e a Bahia aparece com índices preocupantes com relação ao ensino. O que fazer para melhorar a educação em Lauro de Freitas?
JO: a gente pretende continuar olhando pra frente. Hoje temos 48 escolas próprias e outras escolas conveniadas. Atualmente são cerca de 30 mil alunos na rede escolar. Quando assumimos em janeiro de 2005 não tínhamos uma creche sequer. Construímos as primeiras creches, implantamos o ensino infantil, avançamos no ensino superior com o ProUni – bancado pelo governo municipal.  Mas sei que temos que avançar com mais creches e em salas de aulas, principalmente onde haja demanda. Pretendo de forma clara e objetiva implantar a escola em tempo integral. Sei que precisamos fazer adaptações naturais para isso. Temos que continuar com a política de valorização e melhorar na questão salarial e capacitação dos professores. É importante construirmos mais espaços públicos com a possibilidade de ter áreas de lazer em cada uma das escolas que iremos construir.


BN: Esse projeto da escola em tempo integral será para o primeiro ano de governo, caso seja eleito?
JO: Sem dúvida. Até porque isso é um sonho nosso, que não nasceu de uma ideia individual, mas com pensadores como Darcy Ribeiro e Brizolla. Tenho plena convicção de que isso é possível em Lauro de Freitas, até pelas condições que estão postas. Vamos sentar com os técnicos da área, com os que fazem a educação funcionar e promover as modificações necessárias para isso.





BN: A saúde é um grande problema na Bahia e em Lauro de Freitas não é diferente. O que fazer para minimizar os transtornos?
JO: Lauro de Freitas é um município atípico. É uma cidade próspera, onde muita gente quer morar e investir. Na saúde nós avançamos muito na saúde. Em Lauro de Freitas é menos complicado por conta dos investimentos que nós já fizemos. Para você ter uma ideia, em janeiro de 2005 encontramos só um posto odontológico, hoje já são 27 postos da prefeitura e construídos com recursos próprios. Só tínhamos três postos de saúde da família, hoje são 25. Nós criamos uma série de possibilidades de acesso do munícipe à saúde. Criamos a clínica Bem Querer, a Clínica da Criança, a Clínica da Família, entre outras ações. O nosso grande desafio é melhorar e ampliar o que já temos, principalmente resolver o problema das filas usando a tecnologia.


BN: O senhor citou que muitas pessoas veem morar e investir em Lauro de Freitas. Como fazer para reordenar a cidade de modo que a dinâmica local não seja prejudicada?
JO: Historicamente o problema de espaço é comum nas cidades metropolitanas. Lauro de Freitas não foge a isso, ainda mais que não temos grande extensão territorial. Já fomos refúgio para muitos moradores de outras regiões, mas perdemos essa característica. Hoje nossa característica é de serviço, comércio e pequenas indústrias não poluentes. Temos que fazer o ordenamento nos pontos onde a cidade permite, que é a região de Itinga, Vida Nova, Caji, Jambeiro, Areia Branca, Quingoma, Capelão, etc. Esses locais permitem um crescimento ordenado. Faremos isso respeitando a natureza, os espaços físicos e o verde. Mas também vou cuidar do lado mais antigo da cidade, que é o Centro.


BN: O que fazer para minimizar os problemas com relação à segurança pública em Lauro de Freitas, mesmo que esse setor seja de responsabilidade do Estado?
JO: É obrigação nossa, até porque nós, nossos filhos e nossos netos moram aqui. Sabemos que não é um problema exclusivo de Lauro de Freitas, mas nessa gestão já buscamos resolver esses problemas com parcerias com o governo do Estado. Lauro de Freitas é atípico, pois é raro o município da Bahia que tem uma delegacia, mas nós temos três. Também poucas cidades tem um pelotão, mas nós temos dois pelotões de polícia. Temos também a Base Comunitária, temos Corpo de Bombeiros e melhoramos o posto da Polícia Rodoviária Estadual. A questão da segurança passa pelas políticas públicas que estão sendo implementadas. Se a gente observar, a insegurança é praticada não por pessoas com oito anos de idade – que é o tempo que tem o nosso governo, mas por pessoas acima de 16 anos. Então, precisamos introduzir políticas que produzam para a sociedade jovens com nova mentalidade, e isso passa por saúde, educação, cultura, lazer, moradia, esporte. Precisamos trabalhar as famílias com essas políticas cada vez mais. Para você ter ideia, moro em Itinga, região chamada de periferia, e lá minha mulher vai ao mercado, eu transito por lá e não vivemos esse clima que muita gente diz. Temos que buscar os eventuais problemas e resolver. Agora, para trabalhar a família podemos inserir alguns segmentos como igrejas, ONGs e poder público municipal. É claro que isso não produz um efeito imediato, porque é uma demanda dos últimos 24 anos, mas estou assumindo esse compromisso.


BN: Mas o senhor há de convir que a ida da Base Comunitária de Segurança para Itinga pressupõe que os níveis de insegurança no local ultrapassaram os limites aceitáveis.
JO: a gente sabe do problema da falta de segurança em todo o Brasil e na Bahia. Quando temos cuidado de trazer mais uma delegacia é justamente para atender a demanda da população. Quando trazemos a Base de Segurança, também é para atender a esse tipo de demanda. A Itinga é muito grande e toda ação de segurança que se desenvolva ali é louvável. Mas só isso não adiante. Temos que desenvolver um conjunto de ações.


BN: Como o senhor pretende cuidar das praias de Lauro de Freitas?
JO: vou cuidar com a responsabilidade deu um gestor que tem o sentimento, que tem o olhar e a convicção de que temos as melhores e mais belas praias do Brasil. Já vínhamos cuidando desde o tempo da tentativa da derrubada das barracas. Temos projetos, estamos resistindo a essa derrubada – que está na justiça, temos um projeto de ordenamento e organização através de um projeto nacional. As praias geram emprego, renda, felicidade e point de prazer para nossa população. A prefeita tomou a frente na defesa dos barraqueiros e nós estávamos lá. Se Salvador tivesse alguém comprometido e com a metade da responsabilidade da prefeita Moema certamente a orla não teria sido derrubada daquela forma e teria um planejamento para ajudar os barraqueiros.


BN: Como resolver o problema do trânsito em Lauro de Freitas? A prefeitura tem como fazer intervenções concretas para resolver esse problema?
JO: a prefeitura tem que tomar providências. Já estamos identificando os pontos mais complicados. Em um lado da cidade, o Centro, tem um problema e temos que resolver. Temos o outro lado da cidade que abrange Itinga, Vida Nova, Capelão e Areia Branca. É um novo vetor de desenvolvimento que nos dá a oportunidade de desafogar o trânsito. Providências estão sendo tomadas e eu assumo esse compromisso. Não ficamos somente nas providências a nível de município. Temos parceria com o governo da Bahia e temos o metrô previsto, que deve vir até a Insinuante na primeira etapa. É um fato concreto e não coisa de campanha política.


BN: Mas o metrô de Salvador também era um fato concreto...
JO: O metrô de Salvador é uma história que nem se conta. Eu não gosto nem de comentar isso porque se afloram muitas questões. Não é porque um gestor foi ruim que o outro vai ser. A gente tem que pagar pra ver. Temos hoje um aceno positivo do governo, que vai nos permitir ter uma via expressa e representará um grande vetor de desenvolvimento. Não tenho dúvida de que junto com os parceiros vamos encontrar soluções para o trânsito e produzir uma melhor qualidade de vida para nós.





BN: Como o senhor avalia a disputa eleitoral em Lauro de Freitas? Respeitosa?
JO: Particularmente eu sempre fiz política respeitosa. Nunca enveredei pra fazer política pelo lado do pessoal. Entendo que a política é uma conquista extraordinária do povo brasileiro. Digo inclusive que a política é um momento de festa, de exaltação da nossa cidadania, da nossa liberdade, para que a gente de forma livre possa escolher o melhor candidato. E nós temos uma história construída que está á disposição da população. Tenho uma responsabilidade muito grande de ser melhor prefeito do que foi Moema Gramacho, até pelas condições que ela deixa. Moema deixa o município mais estruturado. Não dá pra ser do mesmo jeito de Moema ou pior. Eu tenho que ser melhor. Eu faço política dessa forma, mas infelizmente não tenho encontrado esse mesmo nível de comportamento por parte de meu adversário. Tenho proposto ás pessoas que comparem a minha história e o que eu fiz com a história do meu adversário. Eu tenho dito ás pessoas que comparem os nossos projetos com as propostas de nosso adversário, que não se apresenta como político, mas como um médico que com a receita do SUS tenta vencer um projeto político praticando o discurso da terra arrasada. Ele desqualifica de forma preconceituosa ao ponto de dizerem que eu sou feio, que eu não falo com as pessoas, que eu não sou do povo. Mas a gente percebe que a população tem aprovado o nosso projeto.


BN: Mas a pesquisa coloca o senhor em uma posição não tão favorável.
JO: eu não conheço essa pesquisa. Ouvir comentar de que saiu algo que alguém por interesses encomendou ou divulgou, mas que por não refletir a verdade da conduta da materialização da pesquisa a justiça mandou tirar do ar. Isso não é um balizamento. As ruas me dizem que eu serei vitorioso.


BN: Por fim, o senhor pode deixar um recado para os eleitores.
JO: quero deixar uma mensagem de otimismo, de alegria. Quero dizer que nós vivemos em um dos melhores municípios da Bahia. Só tenho que agradecer a Deus pelas oportunidades que ele me proporcionou e dizer que tenho que retribuir pra esse povo tudo que ele me proporcionou. Eu preciso retribuir trabalhando pra produzir melhores condições de vida para as famílias e que consequentemente elas possam ser mais felizes.


Fotos: Gilberto Júnior - Bocão News

Classificação Indicativa: Livre


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