Esporte
Publicado em 16/09/2025, às 15h39 Rodrigo Corsi/Globo Esporte Analu Teixeira
Entre orações e cartões, o padre Gabriel Balan Leme tem vivido uma rotina pouco comum em Ribeirão Preto. Aos 33 anos, ele concilia o sacerdócio na Comunidade Eclesial Missionária Nossa Senhora Desatadora dos Nós com a carreira de árbitro de futebol, função que exerce desde 2024 no quadro da Federação Paulista de Futebol (FPF).
O religioso encontra nos gramados mais uma forma de servir, mesmo diante de provocações e desafios.
Formado em filosofia e sociologia, além de padre, Gabriel começou sua trajetória esportiva como goleiro em campeonatos amadores. A paixão pelo futebol o levou a buscar os cursos de arbitragem, e, desde então, passou a apitar jogos das categorias de base, do Sub-11 ao Sub-20, em campeonatos organizados pela FPF.
“A arbitragem também tem um caráter educativo, não é só aplicar regra. É formar pessoas, exigir respeito e dar exemplo”, afirmou em entrevista.
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Conciliar as agendas não é tarefa simples. Enquanto as missas e celebrações seguem horários fixos, os jogos exigem deslocamentos e preparação física intensa. Quando há conflito, a prioridade é clara: “A vocação sacerdotal vem em primeiro lugar. Se preciso, peço dispensa da escala”, explicou.
A batina, no entanto, não o protege de críticas ou ironias. Em algumas partidas, torcedores já gritaram frases como “Acaba logo, padre, que tá na hora da missa”. Comentários assim, por vezes ofensivos, testam seu equilíbrio emocional.
“São provocações que incomodam, mas tento manter a serenidade. Não posso perder a essência do que sou, dentro ou fora do campo”, disse.
Para o padre-árbitro, as duas vocações se complementam. Se no altar ele anuncia fé, nos campos busca aplicar justiça e disciplina. “O esporte pode ser um espaço de evangelização, de transmitir valores como respeito, paciência e dignidade. É um jeito diferente de viver a missa”, concluiu.
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