Esporte

Abaixo-assinado contra patrocínios de empresas ligadas à pornografia no esporte ultrapassa 50 mil assinaturas; entenda

Influenciadoras coletam assinaturas para acabar com patrocínios de empresas ligadas à pornografia em clubes esportivos  |  André Oito - Operário | Reprodução - X

Publicado em 23/07/2026, às 15h43   André Oito - Operário | Reprodução - X   Cauan Borges

O abaixo-assinado criado pelas ativistas e influenciadoras Sheylli Caleffi e Lari Agostini, que pede o fim de patrocínios de empresas ligadas à pornografia em clubes esportivos e espaços públicos, já reúne cerca de 53 mil assinaturas. No futebol brasileiro, os principais times patrocinados pela Fatal Fans, companhia de divulgação para acompanhantes, são o Corinthians, o Vila Nova e o Operário.

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Em entrevista ao Estadão, Sheylli defendeu que, ao contrário das casas de apostas esportivas, o acesso ao conteúdo pornográfico na internet ocorre com menos barreiras para crianças e adolescentes. Segundo a influenciadora, as plataformas de apostas possuem regras de acesso e exigências financeiras, enquanto materiais pornográficos gratuitos podem ser encontrados com facilidade.

A legislação que regulamenta o mercado de apostas no Brasil proíbe campanhas publicitárias direcionadas a crianças e adolescentes ou sem a devida classificação indicativa. Além disso, o chamado ECA Digital estabelece que empresas de tecnologia adotem medidas para reduzir os riscos de exposição desse público à publicidade de apostas.

Segundo Sheylli, a facilidade de acesso à pornografia representa um problema ainda maior. A ativista afirma que grande parte dos conteúdos retrata situações de violência contra mulheres, o que pode influenciar adolescentes a normalizarem esse tipo de comportamento em seus relacionamentos.

A maioria dos vídeos pornográficos retrata mulheres sofrendo violências e isso é assimilado como normal pelos adolescentes que buscam reproduzir o que veem em seus relacionamentos. Geralmente eles não têm nenhuma orientação sobre o que estão assistindo e nem aula sobre educação sexual e consentimento”, afirmou a influenciadora.

Assista:

A preocupação é reforçada por um levantamento da organização ChildFund, realizado com cerca de 9 mil adolescentes de 13 a 18 anos em todo o Brasil, além de entrevistas com autores de violência sexual. 

O estudo aponta que o contato precoce com a pornografia interfere na forma como crianças e adolescentes compreendem o corpo, o desejo e as relações afetivas. A pesquisa também concluiu que a exposição contínua pode provocar um processo de dessensibilização.

Outro dado apresentado pelo levantamento mostra que todos os entrevistados condenados por violência sexual relataram ter tido o primeiro contato com conteúdos pornográficos ainda na infância, entre os 8 e os 10 anos de idade.

Com aproximadamente 30 milhões de torcedores em todo o Brasil, o Corinthians também tem sua trajetória institucional citada por críticos do acordo comercial.

Um dos argumentos é o histórico de campanhas voltadas ao combate ao machismo e à promoção da igualdade de gênero, como a iniciativa "Respeita as Minas", lançada pelo clube em 2018. Em resposta às críticas, o 'Timão' informou que, no uniforme da equipe feminina, o espaço destinado à Fatal Fans será utilizado para divulgar justamente a campanha.

🚨 Um abaixo assinado criado pelas ativistas e influenciadoras Sheylli Caleffi e Lari Agostini para pedir o fim de patrocínios de marcas associadas à pornografia no esporte e em espaços públicos já chega a cerca de 47 mil assinaturas.

Ao Estadão, Sheylli afirma que no caso das… pic.twitter.com/1wUglcvvrv

— Gols do Brasileirão ⚽️🇧🇷 (@golsdobrasil1) July 23, 2026

Classificação Indicativa: Livre


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