Esporte

Análise: Como a CazéTV deixou a Globo para trás na Copa de 2026

Cobertura da Copa de 2026 pela CazéTV trouxe emoção e autenticidade, mudando a forma como consumimos esportes; canal se tornou indispensável  |  Reprodução / CazéTV

Publicado em 19/07/2026, às 18h03   Reprodução / CazéTV   Henrique Brinco

A Copa do Mundo de 2026 marcou uma mudança importante na forma de consumir transmissões esportivas no Brasil. Se em edições anteriores a Rede Globo era vista como referência absoluta, desta vez a CazéTV assumiu o protagonismo. Não apenas por ter exibido todos os jogos do torneio, mas por entender que, na era das redes sociais, a partida é apenas parte do entretenimento. O restante acontece nos bastidores, nos cortes que viralizam e na interação constante com o público.

A emissora comandada por Casimiro Miguel percebeu que a audiência atual quer muito mais do que narração e análise técnica. Ela busca personalidade, espontaneidade e momentos que possam ser compartilhados segundos depois de acontecerem. Foi exatamente essa estratégia que fez a cobertura ganhar uma dimensão muito maior do que os 90 minutos em campo.

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Goleiro Vozinha virou personagem principal da Copa na CazéTV. (Foto: Reprodução / CazéTV)

O melhor exemplo aconteceu logo na estreia de Cabo Verde. O improvável empate sem gols contra a Espanha transformou o goleiro Vozinha em um dos personagens da competição. A CazéTV não deixou a história morrer no apito final.

O canal o público a seguir o atleta nas redes sociais, ajudando a multiplicar sua base de fãs em poucas horas. Depois, ainda registrou a reação emocionada do jogador ao descobrir que havia ultrapassado a marca de um milhão de seguidores. O episódio virou notícia dentro e fora do Brasil.

O humorista Diogo Defante se tornou uma das figuras icônicas da CazéTV. (Foto: Reprodução / CazéTV)

Nas reportagens de rua, a diferença de abordagem também ficou evidente. Em vez de entrevistas previsíveis, o humorista Diogo Defante segurava o ao vivo como ninguém, se tornando uma figura indispensável durante o CopaZona.

Os outros repórteres também apostaram em conversas descontraídas, desafios e brincadeiras com torcedores espalhados pelos Estados Unidos, México e Canadá. Nem todas as ações agradaram ao público mais tradicional, mas praticamente todas renderam assunto nas redes.

Quando vieram as críticas, a reação também seguiu um caminho pouco convencional. A narração de Luis Felipe Freitas, considerada por muitos excessivamente empolgada com Lionel Messi e a seleção argentina, gerou uma enxurrada de comentários. Em vez de ignorar a repercussão, a CazéTV transformou as próprias críticas em conteúdo, colocando seus comentaristas para ler as mensagens ao vivo (algo impensável na Globo). 

CazéTV entrevistou Cristiano Ronaldo com exclusividade. (Foto: Reprodução / CazéTV)

A emoção dos profissionais também fez parte da identidade da cobertura. Repórteres apareceram visivelmente comovidos ao entrevistar nomes como Cristiano Ronaldo e Harry Kane.

Do outro lado, a TV Globo teve poucos momentos capazes de mobilizar a internet de maneira positiva e nem sequer conseguiu figurar entre os assuntos mais comentados nas redes. No fim das contas, a grande vitória da CazéTV não foi apenas na audiência. A emissora compreendeu que o público que consome futebol está mudando e a linguagem engessada das grandes corporações de mídia já não interessam mais.

Classificação Indicativa: Livre


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